— Se quiser fugir, eu encontro um jeito.
Aquele tom chamou a atenção de Isabella.
— Você está tentando cancelar o nosso noivado?
— Sim.
— Por quê?
— Porque não quero viver de aparências.
O olhar da mulher deslizou com suavidade. Não transparecia raiva.
— Meu pai e meu irmão jamais aceitariam romper este acordo. O seu pai com certeza pensaria o mesmo.
— Eu já disse que dou um jeito nisso.
— Não seja ingênuo. Nós não temos controle sobre esse assunto.
— Como sabe se não tentarmos?
— Eu não quero tentar! — O sorriso de Isabella sumiu. — Eu acho excelente a ideia de me casar com você.
— Mas você não sente nada por mim.
— E como tem tanta certeza? — Ela exibiu um sorriso doce e envolvente. — Afonso, se eu disser que já me apaixonei por você, você acreditaria?
O corpo de Afonso enrijeceu. Uma pequena confusão tumultuou sua mente.
Sem perder a chance, Isabella enlaçou o braço no dele.
— Eu sei que você ainda não tem esse tipo de sentimento por mim. Mas está tudo bem, não há pressa. Podemos ir com calma.
— Quanto às nossas famílias, eu converso com eles. Direi que não tenho pressa de casar. Vou esperar o dia em que você realmente me ame e, só então, teremos a cerimônia mais romântica que este país já viu.
Dizendo isso, ela encostou a cabeça no ombro dele com suavidade.
— Afonso, há coisas que escapam ao nosso controle e precisamos apenas aceitar. Mas, que sorte a nossa, encontramos a melhor versão um do outro. Então, não se preocupe. O nosso casamento será extremamente feliz.
— Eu até já pensei que, um dia, quero te dar filhos. Um menino e uma menina, de preferência. Imagina só como seriam lindos os filhos com a nossa genética.
— Quando soube que a Srta. Naiara estava grávida, para ser sincera, senti até um pouco de inveja. Eu...
Afonso não a afastou. Apenas virou o rosto na direção de onde viera.
A alguns passos dali, Naiara observava, com um sorriso radiante, uma mulher caminhando de mãos dadas com uma menininha.
A inocência graciosa da criança fazia o sorriso dela se alargar, quase incontrolável.
Provavelmente, estava imaginando o bebê em seu próprio ventre.
Um sorriso simples. Puro.
— Adivinhe o que eu trouxe?
Naiara, absorta em seus pensamentos, não lhe deu muita atenção:
— Não faço ideia.
— Chuta! Você não tá fazendo nada mesmo.
— Não quero.
— Você é muito chata. — Gualter certificou-se de que ninguém os olhava e tirou um pedaço de tecido do bolso. — Dá uma olhada.
Naiara quase não prestou atenção, imaginando que ele decidira fazer um pedido também.
— Pensei que não ligasse para essas baboseiras.
Com cuidado, Gualter esticou o tecido em suas mãos.
Foi então que Naiara pôde ler com clareza a única palavra escrita:
"Afonso".
E, logo abaixo, um pequeno verso:
"Que o coração que me pertence não se vá, para que possamos envelhecer juntos até o fim dos dias."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...