Naiara estava agachada, encolhida, os ombros tremendo a cada soluço.
Gualter não tentou consolá-la.
Melhor deixar chorar. Chorar alivia a dor.
Por fim, Naiara levantou o rosto, a visão embaçada pelas lágrimas.
— Gualter.
Gualter agachou-se ao seu lado, brincando com um capim que crescia entre as pedras.
— Hum?
— Foi só desta vez. A última vez.
— O quê?
— Chorar.
Daqui para a frente, ela não derramaria mais nenhuma lágrima por ele.
Gualter deu um suspiro cético.
— Não se pode confiar na palavra das mulheres.
Naiara fungou.
Ele perguntou em seguida: — Você tem lenço de papel?
Naiara balançou a cabeça: — Não.
— Eu também não. Usa a própria manga.
— Tá.
Naiara estava prestes a usar sua própria manga.
Gualter estendeu o braço para ela.
— Melhor usar a minha. Suas roupas parecem ser mais caras que as minhas.
Naiara deu um tapa na mão dele.
— Dá pra parar com a brincadeira? Eu realmente não consigo sorrir agora.
Gualter levantou-se e estendeu a mão para ajudá-la.
— Vamos voltar. Durma um pouco. Amanhã, quando acordar, o sol vai nascer e a vida continuará como sempre.
Naiara apoiou-se na mão dele e se levantou. Por causa da falta de oxigênio do choro, ela cambaleou e quase caiu.
Gualter a segurou firme.
— Tudo bem?
Naiara limpou as marcas de lágrimas do rosto com as duas mãos.
— Eu devo estar horrível agora, não?
Gualter assentiu: — Um pouco.
Naiara: — Não poderia dizer algo mais agradável?
— Posso. Quer ouvir?
— Sim.
— Um rosto lindo e solitário, banhado em lágrimas, como um ramo de flor de laranjeira sob a chuva da primavera.
Naiara soltou uma risada entre as lágrimas.
— É melhor você ficar de boca fechada.
— Sorriu?
Era mesmo Afonso.
Isabella correu até ele.
— Aonde você foi a essa hora? Eu estava te procurando, e você ainda saiu sem o celular! Fiquei morrendo de preocupação.
O olhar de Afonso atravessou o ombro de Isabella e fixou-se na mulher a poucos passos dali.
— Vim tomar um ar.
Isabella o apoiou em seus braços: — Chega de ar, vamos logo para o quarto. Com um frio desses, por que não vestiu um casaco? Beber e depois pegar friagem pode dar um resfriado. Vamos, eu te levo de volta.
Afonso não recusou o apoio de Isabella.
Ao passarem por Naiara, ele parou.
Sua voz soou fria e indiferente.
— Que coincidência, a Sra. Naiara também saiu para tomar um ar?
Naiara desviou o olhar. — É, coincidência.
De repente, Afonso mudou de assunto.
— Você não disse hoje que queria passear por Rio Belo?
Era óbvio que a frase era direcionada a Isabella.
Isabella respondeu: — Sim, por quê?
Afonso: — Eu te acompanho.
Isabella achou que tinha ouvido errado.
— Você vai me acompanhar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...