— Eu sou o seu noivo, não é minha obrigação acompanhá-la?
Isabella sorriu, e sem hesitar soltou a frase na frente de pessoas de fora.
— Afonso, essa sua atitude repentina me surpreende. Chega a parecer um sonho, nem parece real.
A expressão de Afonso continuou distante e fria.
— Quando você tiver tempo, eu te acompanho.
Isabella respondeu prontamente: — Combinado! Não tenho nenhum compromisso nos próximos dias, então tenho muito tempo. Mas aviso logo que você vai se cansar, hein.
— Hum.
Afonso seguiu caminhando.
Embora Naiara não o estivesse olhando, pôde sentir claramente a força do olhar que ele pousou em seu rosto antes de partir. Era um olhar carregado de desespero e de fúria.
Naiara viu com os próprios olhos os dois entrarem no quarto, e seu coração despencou até o fundo do abismo.
Felizmente, ainda conseguia se manter de pé.
Tudo bem! Tudo ficaria bem!
...
— Pode voltar e descansar. — disse Afonso.
Ele se recostou no sofá e acendeu um cigarro.
Isabella pareceu surpresa.
— Desde quando você começou a fumar?
Ele exalou a fumaça devagar. — Depois que cheguei a Rio Belo.
Isabella perguntou, preocupada: — É pelo estresse?
— Talvez.
— Afonso. — Isabella abriu um pouco a janela. — É melhor fumar menos. Faz mal para a saúde.
Afonso não respondeu.
Isabella o observou por um instante.
— Você está preocupado com alguma coisa?
Os lábios finos do homem se moveram, mas, no fim, ele engoliu as palavras que estava prestes a dizer.
O que adiantaria dizer?
Não faria o menor sentido.
Se ele fosse o único a lutar por aquilo, haveria motivo para continuar?
Isabella não suportava o cheiro de cigarro, mas não tentou impedi-lo à força. Apenas sentou-se num assento um pouco mais distante dele e perguntou com voz suave:
— O tio Henrique brigou com você? Você parece chateado.
Afonso apagou o cigarro pela metade.
Próximo ao resort havia uma montanha com um templo antigo. Dizia-se que nesse templo ficavam as árvores do Santuário das Gêmeas Milenares, uma árvore fêmea e uma macho, que zelavam uma pela outra há milênios. A fama era de que pedir por um bom casamento ali dava muito resultado.
Tanto os comprometidos quanto os solteiros queriam visitar. Não que fosse obrigatório pedir por amor, mas o brasileiro tinha aquela mania de: "Já que estamos aqui, por que não aproveitar?"
Como seria necessário subir a montanha, Naiara pediu dispensa do passeio.
Quitéria ficou preocupada em deixá-la sozinha no hotel e se ofereceu para ficar e fazer companhia.
Naiara não aceitou.
— Foi difícil a empresa organizar essa viagem, você tem que sair e aproveitar as vistas. É uma oportunidade rara.
Quitéria hesitou: — Mas como vou te deixar sozinha aqui no hotel?
Naiara soltou uma risada fraca. — Fique tranquila, eu não sou nenhuma criança e não vou me perder. Seja boazinha e vá com o pessoal.
— Eu fico.
Gualter disse isso enquanto caminhava até elas.
Ao vê-lo, o sorriso de Quitéria ficou ainda mais doce.
— Bom dia, Gualter.
Naiara quase não conteve a risada.
Aquela garota agora sorria muito mais. Lembrava-se bem de quando a conhecera; Quitéria vivia de cara amarrada o tempo todo.
Não era à toa que todos diziam que trabalhar na Nuvem Pioneira fazia bem para a alma. Parecia que não era exagero.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...