Naiara cerrou os dentes e deu um chute na perna de Gualter por debaixo da mesa.
— King, a vice-presidente me chutou!
— Bem feito — respondeu Afonso.
— Então eu vou chutar de volta.
— Tente.
Gualter arqueou os lábios, dando um sorriso quase imperceptível.
Aquele sorriso foi visto por Quitéria, que ficou estática por um segundo.
Durante todo aquele tempo, ela nunca o vira sorrir.
Não imaginava que o sorriso dele fosse tão bonito.
Como o olhar de Gualter parecia ter se voltado na direção dela, Quitéria se assustou e abaixou a cabeça rapidamente.
— Ah, a propósito... — Gualter conseguiu ficar em silêncio por apenas dois minutos antes de abrir a boca de novo. — Eu não quero ir na confraternização amanhã. Não gosto de multidões.
— Como quiser — disse Afonso.
— Não pode — interveio Naiara.
Gualter fez um bico.
— A quem eu devo obedecer?
Nenhum dos dois respondeu.
Naiara retomou a palavra:
— A confraternização serve para estreitar os laços entre os colegas e fortalecer o espírito de equipe. Que história é essa de individualismo?
Gualter não pareceu se importar em levar uma bronca e se virou para Afonso.
— King, você é o chefe. Teoricamente, eu deveria te obedecer. Mas você disse que eu devo sempre estar ao lado da Naiara. Então agora eu tenho que escutar o que ela diz, né?
Afonso pousou os talheres e limpou a boca com elegância.
— Aproveitem a refeição.
— Termina de falar antes de ir! — protestou Gualter.
Afonso deu um tapinha no ombro dele.
— Hoje à noite, você fica fazendo hora extra sozinho.
Gualter deu de ombros.
— Por mim, tudo bem.
Afonso já estava a alguns passos de distância quando Gualter gritou:
— King, afinal, de quem eu recebo ordens?
A voz do homem soou neutra:
— Dela.
Gualter se inclinou em direção a Naiara.
— Por que eu tenho a impressão de que ele está com raiva?
— De tanto que você irritou ele — retrucou ela.
Naiara prendeu o sorriso nos lábios, mas ainda assim não falou com ele.
Queria ver até onde ele conseguiria aguentar.
Quando os dois saíram do elevador, Naiara deu dois passos e fingiu que algo estava errado. Franziu a testa e levou as duas mãos à barriga.
Afonso percebeu que a mulher não o estava acompanhando, parou e olhou para trás.
Ao vê-la assim, correu até ela, imediatamente tenso.
— Dor de barriga? É dor de barriga?
Naiara assentiu com a cabeça, com a voz abafada.
— Uhum, dói.
— Vamos para o hospital!
Afonso não pensou duas vezes e se curvou, pronto para pegá-la no colo.
Naiara o impediu, abrindo um sorriso travesso.
— Estamos na empresa.
Afonso percebeu que havia sido enganado.
— Você brinca com esse tipo de coisa?
Naiara estava de excelente humor.
— Senão, você ia voltar a falar comigo?
— E eu não estava falando com você?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...