— Falou, mas foi a mesma coisa que não falar. Com essa cara fechada, parecia até que eu te devia dinheiro.
— Você não me deve dinheiro. Eu é que tenho uma dívida com você.
Naquele exato momento, alguns funcionários passaram, e Naiara deu um passo para se afastar um pouco dele.
— Sr. Afonso. Sra. Naiara.
Os dois assentiram em cumprimento simultaneamente.
Afonso retomou:
— Sra. Naiara, passe na minha sala daqui a pouco. Tenho um assunto importante para tratar.
E então, foi embora.
Naiara não conseguiu conter o riso.
Poucos instantes depois de Afonso entrar na sala, Naiara bateu à porta.
Não houve resposta.
Quando ela estava prestes a bater novamente, a porta se abriu abruptamente, e uma mão se estendeu, puxando-a para dentro.
Em seguida, ela foi prensada contra a parede.
Naiara sorriu de canto.
— Ainda não passou a raiva?
O pomo de adão do homem se moveu.
— Você sabia que eu estava com raiva?
— Claro. E também sei o motivo de você estar com raiva.
O olhar dele foi se tornando mais intenso.
— Por quê?
Naiara sorriu como uma pequena raposa.
— Por causa do Carlos, ué.
Os lábios dele se aproximaram lentamente, parando a milímetros de tocá-la.
— Vocês tomaram chá juntos? Vocês ainda...
Naiara segurou o riso.
Mas também sentiu pena.
Não suportava vê-lo assim, inseguro e sem saber de nada.
Então, ela parou com a brincadeira.
— Foi a Zuleica quem me pediu para procurá-lo, por causa do filho da Adriana. Carlos queria se livrar da criança, mas a Zuleica não queria que um bebê inocente perdesse a vida, então me pediu para ir falar com ele. Na hora de ir embora, eu quase caí, e ele apenas me segurou, só isso.
— Você foi, e ele aceitou?
— Sim, ele aceitou.
— E aquele buquê de flores hoje de manhã... foi ele quem mandou também?
— Foi.
Ele ficou em silêncio, os olhos brilhando com uma tempestade contida.
— Pelo visto, ele ainda sente...
Dizendo isso, não deu mais chances para ela falar. Com uma força avassaladora, tomou seus lábios, como quem invade e conquista um território.
Naiara quase não conseguiu se manter em pé.
Felizmente, ele a segurava com firmeza.
Do lado de fora, ouviu-se uma batida na porta.
Naiara, assustada, empurrou Afonso.
O polegar dele enxugou delicadamente o canto dos lábios dela, e toda a sombra que pesava em seu rosto havia desaparecido.
— Entre.
Gualter abriu a porta, olhando para os dois.
— Eu interrompi algum clima?
Naiara sentiu o rosto queimar e não teve coragem de olhá-lo.
— Sr. Afonso, o relatório já foi entregue. Com licença.
Afonso reprimiu um sorriso.
— Hum.
Ao passar por Gualter, ele ergueu a sobrancelha e perguntou:
— Foi tão difícil assim apresentar o relatório que até a sua boca ficou inchada?
Naiara queria que um buraco se abrisse no chão para engoli-la. Morrendo de vergonha, com o rosto em chamas, disparou antes de sair correndo:
— Chato!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...