Naiara conteve as próprias emoções.
— Ainda está doendo muito?
— Ainda... — Os olhos do homem vacilaram por um momento antes de franzir a testa num vinco profundo. — Sim, está doendo bastante.
— Então vamos rápido para o hospital. Como pode estar doendo há tanto tempo? Será que é intoxicação alcoólica?
— Não sei. Só sei que dói muito.
Naiara olhou em volta.
— Como você chegou até aqui?
— De táxi.
— Então eu te levo para o hospital.
— Não quero ir para o hospital.
Naiara suspirou, um misto de frustração e pena.
— Como assim não quer ir ao hospital, doendo desse jeito?
Afonso massageou as têmporas.
— Não quero. Se eu for, vai doer ainda mais.
— O médico da família! Claro, você tem um médico particular, não tem? Ligue para ele agora mesmo e mande-o ir para a sua casa.
— Tudo bem. Mas vou precisar que você me leve de volta.
Sem pensar duas vezes, Naiara assentiu.
— Eu te levo agora mesmo.
Ao entrarem no carro, Naiara percebeu que Afonso não havia colocado o cinto de segurança. Imaginando que ele estivesse com tanta dor que nem queria se mover, ela se inclinou sobre ele para prendê-lo.
A fragrância suave que exalava dos cabelos dela invadiu as narinas de Afonso. Ele abaixou o olhar e observou o perfil do rosto dela, tão concentrado e genuinamente preocupado. Seu humor melhorou instantaneamente.
Naiara pisou no acelerador com um pouco de pressa.
Afonso alertou suavemente:
— Não dirija tão rápido.
— Fique tranquilo, eu dirijo bem.
— Se você acelerar, minha cabeça vai doer mais.
Imediatamente, Naiara reduziu a velocidade.
Quando chegaram ao residencial Pátio do Luar, o médico da família também acabava de chegar.
Naiara ajudou Afonso a se deitar na cama.
O médico o examinou minuciosamente.
— Jovem mestre, você...
Uma mão escorregou sorrateiramente por debaixo das cobertas e cutucou a perna do médico.
A expressão do doutor mudou no mesmo instante.
— Jovem mestre, essa sua dor de cabeça não é brincadeira. Você precisa repousar rigorosamente, caso contrário, isso poderá deixar sequelas.
— Então eu durmo aqui mesmo. Não tem um sofá na sala? Eu durmo no sofá.
— Você acha... que isso é apropriado?
Naiara sentiu que algo não se encaixava.
— Afonso, você não está fingindo, está?
Afonso fechou os olhos e soltou um suspiro profundo.
— Pode fingir que estou fingindo, se preferir.
Ouvir aquilo a deixou ainda mais agoniada.
— Falei besteira, me desculpe.
Afonso não respondeu. Sua expressão estava mergulhada em uma melancolia sombria.
Incapaz de suportar aquela tensão, Naiara se levantou.
— Vou ao banheiro me lavar.
Afonso segurou o pulso dela.
— Fique aqui no quarto. No armário tem roupas limpas.
Naiara abriu o armário.
E não é que tinha de tudo?
Toalhas, pijamas femininos e até roupas íntimas descartáveis...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...