Afonso soltou um suspiro profundo e pesado.
— É verdade, vou vê-la mais tarde...
Só não poderia mais abraçá-la. Muito menos beijá-la.
Ele tinha que obedecer ao que ela disse.
José estava prestes a falar algo quando, de repente, ouviu o homem ao seu lado reclamar feito uma criança injustiçada:
— José, ela nem sequer olhou para trás.
José teve vontade de rir, mas a situação não permitia.
— Senhor Afonso?
Uma voz familiar chamou.
Afonso virou a cabeça.
— Felícia.
Felícia segurava uma sacola de compras.
— Veio trazer a menina Naiara?
— Sim.
— E por que está aí parado na calçada? Suba.
— Não...
— Anda, anda, sobe logo. Não tem cabimento chegar até aqui e não entrar! Pode subir, tenho uma sopa deliciosa de pato no fogo. Deve estar com fome, aproveite e coma com a gente.
Sem dar espaço para recusas, Felícia o puxou pelo braço em direção à entrada.
Após dar alguns passos, lembrou-se de que havia mais alguém.
— José, venha logo! Somos todos da família, para que tanta cerimônia? Vou ter que implorar um por um?
A hospitalidade dela era esmagadora.
Educadamente, José correu para ajudar Felícia a carregar as sacolas.
— Felícia, a Srta. Naiara me disse que os bolinhos que você faz são deliciosos.
Felícia abriu um sorriso largo.
— Quer provar? Sem problema! Assim que eu tiver um tempo, faço para você e peço para a menina Naiara te entregar.
José continuou:
— O Gualter também quer provar.
Naiara segurou a manga do paletó dele para enxugar as lágrimas, assoou o nariz no tecido e, por fim, deu um soquinho no peito dele.
— O que você está fazendo aqui? Quem mandou você vir! Que ódio!
Afonso segurou os ombros dela, ajudou-a a se levantar e, sem se importar com a presença de Felícia, a puxou para um abraço apertado.
— Shh... não chore mais, está bem?
Irritada e nervosa, Naiara bateu o pé.
— Quem está chorando?! Foi areia que caiu no meu olho!
O homem parecia estar consolando uma garotinha birrenta, e sua voz soou naturalmente mais suave e afetuosa:
— Certo, certo. Quer que eu assopre para tirar a areia?
— Não! Eu não quero olhar para a sua cara!
— Isso não vai dar. Foi a Felícia quem me convidou para subir.
Afonso a soltou um pouco, afagando seus longos cabelos com os dedos.
— Minha gatinha chorona está com o rosto todo borrado. Olha só, até o Bolinha está rindo de você.
E ali estava Bolinha, sentado no chão, com a linguinha de fora, compondo perfeitamente a cena.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...