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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 621

Quando José voltou para o carro, o silêncio no interior era absoluto, e uma atmosfera opressiva pairava no ar.

Ele não ousou perguntar muito. Nem podia.

Isso porque percebeu que os olhos de Naiara estavam vermelhos.

E a expressão do jovem mestre parecia mais triste do que nunca.

José suspirou silenciosamente, sentindo um aperto inexplicável no peito.

Durante todo o trajeto até Rio Belo, nenhum dos dois no banco de trás abriu a boca.

Mas eles continuavam aninhados um no outro.

Afonso manteve os braços ao redor dela na mesma posição, com um cuidado e uma relutância tão grandes que parecia que, se fizesse um movimento brusco, a mulher em seus braços desapareceria.

Naiara também permaneceu imóvel, encolhida no abraço dele. Ela sabia que, ao chegar em Rio Belo, nunca mais sentiria aquele abraço tão quente e cheio de segurança.

Em breve, os braços dele serviriam de abrigo para outra mulher.

Naiara fechou os olhos e fingiu que estava dormindo.

Não sabia mais o que dizer.

Tinha medo de que, se dissesse mais alguma coisa, começaria a chorar.

Só quando o carro saiu da rodovia é que José rompeu o silêncio:

— Jovem mestre, vamos deixar a Srta. Naiara em casa primeiro?

Afonso abriu os olhos, acariciando com os dedos a bochecha macia dela.

— Sim, leve-a para casa primeiro.

A mulher continuava imóvel em seus braços. Os cílios escuros projetavam uma sombra suave no rosto, tremendo levemente de vez em quando, como uma fada prestes a bater as asas.

Como se estivesse tendo um pesadelo, uma linha fina de preocupação se formou entre suas sobrancelhas.

No fim, ela não aguentou o cansaço e adormeceu de verdade...

Quando Naiara acordou, o carro já estava estacionado em frente ao prédio dela há um bom tempo.

A voz ainda estava um pouco rouca de sono e o corpo preguiçoso. Ela não teve pressa em se sentar; queria aproveitar um pouco mais daquele abraço que estava prestes a perder.

— Já chegamos?

A voz do homem continuava gentil e carinhosa:

— Sim, chegamos.

Naiara, parecendo uma gatinha manhosa, murmurou:

— Não quero subir.

— E para onde você quer ir?

— Não sei...

Naiara apertou os lábios.

— Sim... eu vou indo.

— Vá.

Naiara abriu a porta do carro e saiu.

— Naiara.

Ela parou.

— Sim?

— Você tem que cumprir a sua promessa.

Naiara fechou os olhos por um segundo, tentando abafar a dor no peito.

— Eu vou.

Bolinha, como se soubesse que ali era sua casa, abanou o rabo e desceu do carro atrás dela.

Afonso ficou parado ao lado do carro, acompanhando com os olhos a partida de Naiara. Mesmo muito depois de ela sumir de vista, ele permaneceu imóvel.

José tentou confortá-lo em voz baixa:

— Jovem mestre, o senhor ainda verá a Srta. Naiara mais tarde.

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