Naiara descansou com os olhos fechados por um tempo, e a sensação de enjoo pareceu diminuir lentamente.
Quando ela abriu os olhos novamente, encontrou Afonso a encarando, sem sequer piscar.
De repente, Naiara sentiu uma pontada de ressentimento injustiçado.
— Nem sei a quem esse bebê puxou. Eu achava que ele já estava quietinho e que não ia mais me dar trabalho, mas ele resolveu causar logo no momento mais crucial!
A expressão de Afonso suavizou-se, e ele disse em voz baixa:
— Puxou a mim.
Naiara congelou.
Puxou a ele?
O que isso queria dizer?
Será que ele havia descoberto algo?
Enquanto o pânico tomava conta dela, Afonso voltou a falar, calmamente:
— Sendo eu o padrinho dele, e como passamos muito tempo juntos, é natural que acabe sendo influenciado por mim.
Naiara soltou a respiração que prendia, aliviada.
Ela chegou a pensar que...
Porém, ao lembrar de como eles haviam se ignorado nos últimos dois dias, uma onda de irritação a atingiu.
— Você não estava fingindo que eu não existia?
— Eu só estava um pouco irritado no momento — respondeu Afonso. — Era impossível te ignorar para sempre.
— E estava irritado com o quê?
— O que você acha?
Os lábios de Naiara curvaram-se ligeiramente para baixo, formando um bico infeliz.
— Se eu soubesse que seria assim, não teria te beijado.
Afonso estendeu a mão e gentilmente afastou uma mecha de cabelo que grudava na testa dela. Sua voz recuperou a ternura habitual.
— Se arrependeu?
— Uhum.
Afonso deu um sorriso indulgente.
— Mas agora não adianta mais se arrepender. O fato é que você já me beijou.
Naiara suspirou.
— Arquei com as consequências da minha própria audácia.
— Mas eu gostei bastante.
Naiara travou, sentindo as orelhas queimarem.
— Do que você está falando...
Afonso ergueu as sobrancelhas, o olhar transbordando um carinho quase palpável.
— Se quiser me beijar de novo na próxima vez, sinta-se à vontade para me procurar a qualquer hora.
Entre o riso e o constrangimento, Naiara deu um soquinho no braço dele.
— Você é tão irritante!
Afonso recolheu um pouco o sorriso.
Naiara deu um sorriso sem graça.
— Eu consigo comer sozinha.
— Abra a boca.
Naiara obedeceu mansamente.
Ela conseguiu comer metade do mingau, mas depois não aguentou mais.
Afonso não a forçou. Em vez disso, comeu a metade que havia sobrado na tigela.
Naiara o olhou, confusa.
— Você não tem fobia por germes?
Afonso descascou um ovo cozido enquanto respondia, com naturalidade:
— Minha fobia por germes se aplica a qualquer pessoa do mundo, exceto a você.
O coração de Naiara deu um salto.
— Esse seu jeito de falar agora... ficou meio parecido com o Gualter.
Afonso franziu levemente o cenho.
— Por que você fica falando dele toda hora agora?
Naiara soltou uma risadinha.
— Está com ciúmes?
— Estou.
Naiara não esperava uma resposta tão direta e ficou momentaneamente sem palavras.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...