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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 605

Afonso terminou de descascar o ovo e perguntou a ela:

— Gosta mais da clara ou da gema?

Naiara conteve seus pensamentos soltos.

— E você? Prefere a gema ou a clara?

— A clara.

Naiara provocou, de propósito:

— Eu também adoro a clara. O que a gente faz então?

— Nesse caso, a partir de hoje eu compro dois ovos. Nós dois comemos as claras, e damos as gemas para o Bolinha.

Naiara sorriu abertamente.

— Essa resposta... hum, te dou nota noventa e nove. Só não te dou cem para você não ficar mal-acostumado.

— Abra a boca.

Naiara abriu os lábios.

Afonso colocou a clara do ovo na boca dela e, para si mesmo, comeu apenas a gema.

Naiara sempre acreditou que, depois de quebrar tanto a cara na família Lucca e viver todos os dramas e mágoas com Carlos, já estivesse calejada demais. Achou que nunca mais se importaria com o amor ou os romances deste mundo.

Ainda menos que seu coração voltaria a bater mais forte por outro homem.

Mas, naquele instante, Naiara percebeu que havia tirado conclusões precipitadas.

Um homem quase impecável como Afonso, capaz de arriscar a própria vida para salvar a dela... Só isso já era prova suficiente de que o sentimento dele era genuíno.

O cuidado dele com ela nunca ficava apenas nas palavras; era sempre demonstrado em atitudes.

— Afonso.

Ele virou o rosto para olhá-la, mastigando devagar.

Naiara parecia ter tomado uma decisão importante.

— Nos últimos dois dias, fiquei buscando uma resposta... Uma resposta para o motivo de eu ter te beijado. E agora eu a encontrei.

Afonso engoliu a comida com dificuldade, e de repente todo o seu corpo pareceu congelar.

— Que resposta?

— A resposta é que, talvez... eu também tenha me apaixonado por você.

Cof, cof, cof.

Foi o primeiro abraço verdadeiro que trocaram.

Afonso apenas a apertou com força, sem dizer uma palavra por muito tempo.

Naquele momento, os pensamentos dele giravam a mil por hora. Ele pensava em inúmeras coisas ao mesmo tempo.

Naiara também sabia o que se passava na cabeça dele.

Ela encontrou a posição mais confortável contra o peito dele.

— Eu ainda não terminei de falar. Você quer ouvir?

— Posso escolher não ouvir?

— Não. Você tem que ouvir.

— Tudo bem, estou ouvindo.

No fundo, ele já sabia exatamente o que ela iria dizer.

— Eu sei que, no fundo, você ainda gosta de mim. E agora eu não luto mais contra esse seu sentimento, porque eu também gosto de você. O amor é algo muito misterioso; a gente sabe que não deve, mas acaba cedendo. Mas isso que estamos fazendo... é errado.

— Você tem a Senhorita Isabella. Mesmo que a relação de vocês seja distante e que o noivado tenha acontecido por obrigação, ela não deixa de ser sua noiva. Se eu continuar com isso, estarei me tornando a amante que destrói o casamento de vocês.

— Eu odeio amantes. Eu sei exatamente qual é a dor de ter um relacionamento destruído por uma terceira pessoa. Eu jurei que nunca seria esse tipo de mulher... mas agora, veja só, estou me tornando uma. Na verdade, eu sinto um pouco de desprezo por mim mesma.

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