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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 596

A multidão explodiu numa salva de palmas.

Afonso emergiu em meio aos aplausos, encharcado, com a água pingando de suas roupas.

Gualter soltou um suspiro de alívio.

— Pelo visto, não era a Naiara.

A família da mulher resgatada correu até eles e agarrou Afonso, insistindo que precisavam levá-lo a uma loja para comprar roupas secas.

Ele recusou várias vezes, mas não conseguia se desvencilhar dos agradecimentos.

Gualter precisou dizer apenas uma frase para que os parentes o soltassem.

Ele disse: — Ele se perdeu da esposa, está correndo contra o tempo para encontrá-la.

Apesar do banho de água gelada, Afonso aos poucos recuperou a lucidez.

— Gualter, vamos nos separar. Você vai para o leste, eu vou para o oeste. Vamos fechar o cerco.

— Fechado! — concordou Gualter.

Quando estavam prestes a se separar, o celular de Afonso tocou.

Era um número desconhecido.

Ele atendeu no mesmo instante.

— É o Sr. Afonso?

O instinto de Afonso falou mais alto. — Sim. Quem fala?

— Sou um policial da patrulha local. Estou aqui perto do farol principal da orla. A sua amiga, a senhorita Naiara, está conosco. Gostaria de pedir que viesse até aqui.

O peso gigantesco que o esmagava pareceu desaparecer num piscar de olhos. A voz de Afonso soou até meio rouca.

— Certo. Estou indo.

Quando Afonso e Gualter chegaram apressados ao local, encontraram Naiara agachada no chão, brincando com um cachorrinho sujo de rua.

Ao vê-los, Naiara foi tomada pela culpa e pelo constrangimento.

— Afonso, eu...

Afonso a puxou para cima de uma vez só.

— Por que você saiu de lá?! Eu não pedi para você me esperar?! Por que foi andar sozinha?!

A cada palavra, o tom de voz dele aumentava.

Gualter não aguentou ficar calado:

— King, não precisa...

— Cala a boca! — rosnou Afonso.

Gualter deu um passo para trás.

Estava claro como a luz do dia: o King tinha entrado em pânico de verdade.

Só então Naiara reparou na água escorrendo do cabelo de Afonso. Ele estava ensopado da cabeça aos pés; apenas a jaqueta que vestia por cima estava seca.

— O que aconteceu com você? Por que está todo molhado?

Ele não respondeu. Apenas continuou encarando-a por um longo tempo, os olhos fixos nela.

Ouvir aquilo fez o coração de Naiara doer ainda mais.

Gualter continuou:

— Você disse que o King foi campeão de natação na faculdade. Eu acredito. Mas eu também acredito piamente que, mesmo que ele não soubesse nadar, teria pulado naquela água para tentar te salvar. Nem que fosse para trocar a vida dele pela sua.

— Gualter! Cala a droga da boca!

Afonso soltou Naiara e rosnou para o amigo.

Aquele grito carregava um turbilhão caótico de emoções.

Gualter chegou a recuar, assustado.

Aquele definitivamente não parecia o sempre elegante e inabalável King.

Mas Naiara entendia perfeitamente a reação dele.

Entendia porque, certa vez, exigira que, acontecesse o que acontecesse, ele jamais arriscasse a própria vida para salvá-la.

Naquela época, ele havia prometido.

Mas, naquela noite, acabara de quebrar essa promessa de novo.

Por isso o desespero.

Ele tinha medo.

Medo de que ela ficasse com raiva.

Medo de que ela o afastasse novamente por causa disso.

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