Sim.
Aquele era o plano que sua mãe tinha para a velhice. Um plano tranquilo e solitário.
Uma pena...
Afonso lançou um último olhar para a fotografia na lápide.
— Vamos.
José inclinou o guarda-chuva cuidadosamente para proteger o chefe da chuva.
— Senhor, dessa vez que retornou, não pretende mesmo avisar a Srta. Isabella?
Afonso permaneceu em silêncio por um breve momento.
— Não.
José apenas assentiu mentalmente. O relacionamento do chefe com a Srta. Isabella continuava tão frio e distante quanto sempre fora.
A chuva aumentou repentinamente. As gotas pesadas e grossas açoitavam as janelas do carro, borrando a visão da paisagem lá fora.
Dentro do veículo, José puxou alguns lenços de papel para secar os ombros ensopados e, enquanto esfregava o tecido úmido, comentou:
— Senhor, a Isadora pediu demissão.
Afonso soltou apenas um "hum", o rosto completamente inexpressivo.
— O senhor não acha estranho? — indagou José, intrigado. — Do nada, ela resolve sair. E olha que elas eram tão amigas. Como alguém pede demissão assim, sem mais nem menos? Sem dar o menor aviso.
— Ela tem estado muito instável emocionalmente ultimamente. Já não tinha mais condições de permanecer na Nuvem Pioneira — respondeu Afonso, a voz neutra. — É melhor assim. Que tire um tempo para descansar. Se no futuro ela quiser voltar, as portas estarão abertas.
José não conseguiu segurar uma risada.
— O senhor e a minha deusa da empresa realmente têm a mesma sintonia. Ela disse exatamente a mesma coisa. As palavras dos dois foram quase idênticas.
A expressão de Afonso vacilou por uma fração de segundo.
— Como estava o humor dela hoje?
Com a demissão de Isadora, era óbvio que ela não estaria bem. Será que ele deveria ligar para saber como ela estava?
José puxou pela memória o relatório que Quitéria lhe passara.
— Nem feliz, nem triste. Agiu normalmente, como em qualquer outro dia. Mas a Quitéria comentou que hoje à noite ela vai levar o pessoal do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento para jantar. Disseram que escolheram um restaurante de comida japonesa.
Afonso esfregou suavemente a ponta dos dedos, seus olhos escuros carregados de uma emoção indecifrável.
— Ela não gosta de comida japonesa.
José piscou, surpreso.
— Ah... então essa noite a chefe vai ter que fazer um sacrifício pela equipe.
Um silêncio reinou no interior do carro por alguns minutos.
Aquilo aguçou a curiosidade de José.
— Por falar nisso, por que a nomeou vice-presidente tão de repente? O senhor nunca tinha mencionado nada antes.
— Não foi repentino — corrigiu Afonso, a voz baixa. — Desde o momento em que ela pisou na empresa, esse era o meu plano. E ela provou ter competência de sobra para o cargo.
José soltou uma risada contida, brincando:
— Desse jeito, até parece que o senhor está se preparando para sair de cena.
Um vinco pesado se formou entre as sobrancelhas do homem.
— Meu pai me ligou hoje.
O coração de José deu um salto no peito.
— O patriarca lhe deu outra bronca?
— Não. Apenas me lembrou que já passou da hora de eu colocar minha atenção nos assuntos sérios da família...
Para o patriarca dos Lucca, a Tecnologia Nuvem Pioneira não passava de um brinquedo, um passatempo trivial para o filho. O verdadeiro dever de Afonso era assumir as rédeas do império principal da família.
O pomo de adão de Afonso subiu e desceu lentamente. Ele soltou um suspiro arrastado e melancólico.
— Se chegar o dia em que eu não puder mais estar em dois lugares ao mesmo tempo... pelo menos, a Nuvem Pioneira ainda terá ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...