Naiara já estava psicologicamente preparada para essa pergunta.
— Quando a primeira tentativa falhou, eu fiquei arrasada. Cheguei ao fundo do poço emocionalmente. Eu precisava conversar com você, precisava do seu apoio, mas naquela época... — Ela fez uma pausa calculada, observando pelo canto do olho a expressão de Carlos, antes de continuar. — Naquela época, você passava os dias grudado na Adriana. Eu só podia assistir de longe, sem o direito sequer de pedir sua atenção.
Ela endureceu o tom.
— Fiquei com tanta raiva que tomei uma decisão drástica. Fui em frente e fiz o procedimento novamente. Eu queria um filho, queria provar para todos que eu era perfeitamente capaz de gerar uma vida. Então, usei o sêmen de um doador anônimo do banco do hospital.
O impacto daquelas palavras atingiu Carlos como um soco.
— Você usou a semente de outro homem?
Naiara manteve a expressão indecifrável.
— Sim. Usei o material de um doador.
— De quem?! — O rosto de Carlos escureceu de forma assustadora.
— Isso eu não sei — respondeu ela com frieza. — Como você deve imaginar, as clínicas garantem anonimato absoluto para proteger os doadores. Eles jamais revelariam a identidade.
Carlos abriu a boca para falar, mas as palavras engasgaram. Ele engoliu a seco, empurrando a fúria para o fundo do peito. Ele não queria explodir com Naiara, mas a humilhação era insuportável.
Era inadmissível que ela carregasse no ventre o filho de outro homem. Mesmo que fosse fruto de uma inseminação artificial. Era inaceitável!
— Tire essa criança.
Um lampejo de genuína surpresa cruzou o olhar de Naiara.
— Você acha que tem a menor autoridade para me exigir algo assim? Além do mais, este bebê é carne da minha carne. Por que diabos eu faria um aborto?
Carlos soltou um suspiro controlado, tentando soar racional.
— É uma criança de origem desconhecida. Quando esse filho crescer e perguntar quem é o pai, o que você vai dizer?
— Eu direi o que tiver que dizer. Isso é problema meu, você não precisa se preocupar com isso.
— Você...
— Carlos. — A exaustão mental provocada antes pela briga com Isadora pareceu desabar sobre Naiara. — O melhor que você tem a fazer é ir ao hospital tratar do seu problema. Caso contrário, a família Lucca realmente ficará sem herdeiros.
Sem esperar resposta, ela empurrou a porta do carro para sair.
Mas Carlos segurou seu pulso com força.
— Ainda tenho mais uma coisa para te contar.
Por que o poder que aquela mulher exercia sobre ele estava se tornando cada vez mais incontrolável?
...
No cemitério de Porto das Estrelas.
Nuvens negras e pesadas esmagavam o céu de Porto das Estrelas. Uma garoa fina, quase imperceptível, caía incessantemente, até que, aos poucos, se transformou em uma chuva densa.
O homem, de beleza marcante, estava vestido inteiramente de preto, de pé, reto e solene diante de uma lápide. Já fazia quase meia hora que permanecia naquela posição.
A fotografia de cerâmica exibia uma mulher de sorriso gentil, com uma aura de elegância e modos refinados, inegavelmente uma dama da alta sociedade.
José, seu assistente, aproximou-se em silêncio e abriu um guarda-chuva amplo.
— Senhor Afonso, vamos voltar. A chuva está engrossando.
Afonso guardou seus pensamentos para si e murmurou, os olhos fixos na lápide.
— O tempo... passa tão rápido.
— É verdade — concordou José, com respeito. — Num piscar de olhos, já se passaram três anos. Até hoje, às vezes, tenho a ilusão de que a Senhora ainda está viva, que apenas decidiu se retirar para algum lugar tranquilo nas montanhas para descansar. Afinal, não era isso que a Senhora sempre dizia? Que queria passar os últimos dias em um lugar rodeado pela natureza, com muita paz e água fresca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...