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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 587

À tarde.

Quando Quitéria entrou para pegar a assinatura de Naiara, aproveitou para comentar algo.

— A Isadora passou por aqui agora pouco. Pegou as coisas dela e foi embora. Ela parecia estar péssima. Aconteceu alguma coisa?

Naiara não queria revelar a verdade, então deu uma resposta evasiva.

— Ela tem alguns assuntos pessoais para resolver.

Quitéria não fez mais perguntas.

— Ah, o pessoal de Pesquisa e Desenvolvimento avisou que não quer mais comida japonesa. Disseram que preferem ir num restaurante de comida mineira hoje.

Naiara demonstrou uma leve surpresa.

— Por que essa mudança de repente?

— Também não sei direito — respondeu Quitéria. — Talvez só estejam com vontade de uma comida mais caseira e tradicional.

Naiara deu um sorriso discreto.

— Que seja. Por acaso, faz tempo que não como uma boa comida mineira, até me deu vontade agora.

Quitéria sorriu e saiu da sala.

Assim que fechou a porta, viu Fábio se aproximando.

— Sr. Fábio.

Todos na empresa sabiam que, embora o Sr. Fábio não trabalhasse ali, ele era como um irmão para o Sr. Afonso e um dos melhores amigos de Naiara. Por isso, até os seguranças na portaria o deixavam entrar e sair livremente.

Quitéria o tratou com o respeito devido a um superior.

— Vou conversar um pouco com a Naiara — disse Fábio. — Por enquanto, não deixe ninguém entrar.

— Entendido.

Fábio abriu a porta.

Naiara ergueu os olhos para ele.

— Achei que você voltaria logo de manhã.

Visivelmente exausto, Fábio puxou a cadeira do outro lado da mesa e sentou-se.

— Eu também queria ter voltado cedo, mas o velho me segurou.

— Seu pai descobriu sobre a farsa de vocês? — perguntou Naiara.

Fábio soltou um suspiro de pura frustração.

— Ele sabia desde o começo. Aquele velho é uma raposa, não dá para esconder nada dele.

Naiara ficou surpresa.

— E mesmo assim ele trancou vocês no mesmo quarto e fez vocês comerem aquilo?

— Sobrevivi.

— Tsc, como se eu não a conhecesse... — Fábio jogou uma perna sobre o braço da cadeira. — Quando ela está com raiva, fala qualquer absurdo. Não descansa até vomitar toda a frustração em cima de alguém. Faz o seguinte, deixa entrar por um ouvido e sair pelo outro. Trate-a como uma criança fazendo birra.

Naiara ergueu levemente as sobrancelhas, o sorriso no rosto não alcançando os olhos.

— Ninguém tem a obrigação de mimar os outros. Se fosse meu próprio filho fazendo um escândalo sem motivo, eu também ficaria irritada.

Fábio congelou.

— Foi tão grave assim dessa vez?

— Eu não gosto de ter que agradar ou implorar para ninguém ficar. Em qualquer relação, seja amor, família ou amizade, se eu perceber que as coisas começaram a apodrecer, eu me retiro. Se a outra pessoa não valoriza o carinho que eu dou, por que eu deveria continuar bajulando?

Foi então que Fábio percebeu que o estado de espírito de Naiara não estava nada bem.

— Naiara, você está magoada?

Os olhos de Naiara marejaram de repente.

— Devem ser os hormônios da gravidez.

O coração de Fábio apertou na mesma hora.

Naiara fungou baixinho.

— Eu odeio muito a sensação de perda. Eu não queria perder nenhum de vocês. Eu valorizo muito a nossa amizade. Mas estou começando a perceber que, quanto mais eu valorizo algo, mais eu perco.

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