Carlos, em um raro momento de cavalheirismo, abriu a porta do passageiro para Naiara.
Ela entrou. O ar-condicionado do veículo estava na temperatura ideal, trazendo um conforto térmico imediato. No entanto, o coração dela já estava congelado demais para ser aquecido por qualquer coisa vinda dele.
Assim que se sentou no banco do motorista, Carlos perguntou:
— Tem certeza de que não quer beber nada? Eu posso ir comprar.
— Não precisa. Vá direto ao assunto — cortou ela, seca.
Carlos permaneceu em silêncio por alguns segundos, as mãos apoiadas no volante.
— Você já deve saber por que estou aqui.
— Eu já fui muito clara com você — respondeu Naiara, sem desviar o olhar para ele. — Este filho não é seu.
A voz de Carlos soou incrivelmente suave, quase perigosa.
— Ainda tentando me enganar?
Um pressentimento ruim tomou conta de Naiara.
— Eu já investiguei tudo — continuou Carlos, com a arrogância de quem detém o controle. — Descobri que você foi à clínica e fez uma inseminação artificial usando o meu sêmen. O filho que você está esperando é, sem sombra de dúvida, meu.
Naiara sentiu um baque interno, mas rapidamente retomou a postura impassível. Pelo visto, a investigação de Carlos tinha sido superficial. Ele havia descoberto apenas sobre o uso das amostras em nome dele, mas não que ele sofria de astenospermia severa e que a qualidade de seu sêmen era insuficiente para gerar uma vida. Muito menos que a clínica havia cometido um erro e utilizado o material de Afonso.
A história soava estranha até para ela.
De repente, o celular de Naiara tocou. Ao ver o nome do médico responsável pelo procedimento na tela, ela rapidamente abaixou o volume da chamada e atendeu.
Do outro lado da linha, o médico falava de forma apressada e nervosa.
— Srta. Naiara, o Sr. Carlos descobriu sobre a inseminação artificial! Ele veio ao hospital confrontar a equipe. Fiquei com medo das consequências se ele soubesse que acabamos usando o sêmen do Sr. Afonso, então afirmei categoricamente que usamos o material dele. Srta. Naiara, se ele perguntar, pelo amor de Deus, sustente essa versão!
— Você acha mesmo que dá para mentir sobre um diagnóstico médico? — rebateu ela, impiedosa. — Vá ao hospital. Faça um espermograma você mesmo e veja os resultados.
Carlos pareceu conectar os pontos. Seu olhar congelou, adquirindo um brilho sombrio.
Naiara sabia exatamente o que estava passando pela cabeça dele.
— Quando a Adriana engravidou, eu confesso que suspeitei — continuou ela, estrategicamente. — Mas pensei que ela pudesse ter tido uma sorte divina, que o improvável tivesse acontecido. Era sobre a sua masculinidade, o seu orgulho, eu jamais ousaria falar sobre isso de forma leviana. Além do mais, mesmo que eu te contasse na época, você não acreditaria em mim. Só diria que eu estava criando intrigas por ciúmes.
Com esse argumento, Naiara bloqueou qualquer chance de Carlos questionar por que ela havia guardado o segredo. De quebra, também afastou a suspeita de que havia se mantido em silêncio por maldade, apenas para vê-lo criar um filho de outro homem.
Carlos ficou em silêncio absoluto. Era impossível decifrar o turbilhão de pensamentos por trás daquela expressão carregada.
Depois de uma eternidade, ele finalmente perguntou, com a voz rouca:
— Então, de quem é essa criança?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...