Assim que Naiara voltou para o quarto e deitou na cama, o celular tocou de novo.
Era Carlos novamente.
Ela recusou a chamada de imediato.
Segundos depois, chegou uma mensagem.
[Olá, aqui é do Clube Exclusivo. O Sr. Carlos bebeu demais, por favor, venha buscá-lo o quanto antes.]
Naiara não respondeu. Após pensar um pouco, apenas encaminhou a mensagem para Zuleica.
Zuleica correu para o Clube Exclusivo.
Ao abrir a porta do camarote VIP, ficou em choque com a cena.
Carlos estava completamente embriagado.
Tão bêbado que não fazia a menor ideia de quem era a mulher que ele abraçava com fervor.
Mas Zuleica sabia muito bem quem era.
Clara.
A mesma garota que quase teve a mão decepada pelo dono do Clube Exclusivo dias atrás.
Para interceder por ela na ocasião, Zuleica tinha ido até lá às pressas e acabou até ficando devendo um favor a Naiara.
Clara sabia perfeitamente qual era o relacionamento entre Zuleica e Carlos.
O que ela estava querendo provar com aquilo?
Ao ver Zuleica, Clara não demonstrou o menor pingo de nervosismo. Apenas tirou a mão de dentro da camisa entreaberta de Carlos, sem pressa.
Zuleica se aproximou e o chamou baixinho.
— Carlos.
Os olhos dele estavam injetados, o olhar turvo e perdido. Ele foi totalmente incapaz de reconhecer Zuleica.
Zuleica voltou-se para Clara.
— Você não sabia do meu envolvimento com ele?
Clara se espreguiçou de forma provocante.
— Tem alguém nessa boate que não saiba?
— E mesmo sabendo você age assim?
— Agir como? — retrucou Clara, com desdém. — Ele é um cliente, eu estou prestando um serviço. Tem algo de errado nisso? Você também não trabalhava aqui? O que foi? Agora que virou a amante bancada do Sr. Carlos, já esqueceu do seu passado?
Zuleica sentiu uma onda de decepção invadir o peito.
— Esqueceu de quem sempre te protegeu? De quem sempre lidou com os clientes difíceis que te assediavam? De quem limpava a sua sujeira?
— Foi você, não esqueci. E daí? Isso é passado.
Zuleica deu um sorriso amargo de autodepreciação.
— Como você mesma disse agora há pouco, eu não passo de uma amante bancada. Uma mulher nessa posição nunca será uma verdadeira madame.
Clara a fuzilou com um olhar de desprezo.
— O Sr. Carlos está solteiro agora. Com os seus truques, não é só uma questão de tempo?
Zuleica balançou a cabeça, preferindo não prolongar a discussão.
Não era uma questão de não ter os 'truques', mesmo se os tivesse, não queria dar o golpe do baú nem virar madame nenhuma.
Sabia qual era o seu lugar no mundo e não forçaria o destino.
Quem era Carlos? E quem era ela?
Carlos se casaria com ela?
Nem em seus delírios mais otimistas.
Sempre diziam que entrar para uma família dessas era um caminho sem volta. Naiara era o maior exemplo vivo disso.
Ela não cometeria o mesmo erro.
Zuleica chamou um dos garçons para ajudar a levar Carlos até o carro.
— Clara — disse Zuleica, suspirando antes de sair. — Pare de sonhar com o que não te pertence. Cada um tem seu destino, a riqueza tem seus limites. O que não é seu, nunca será. Mesmo que você consiga algo com manipulações agora, vai acabar perdendo tudo no final.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...