— Foque no seu trabalho, junte o seu dinheiro e depois volte para a sua cidade. Encontre um homem bom e case-se — aconselhou Zuleica, antes de partir.
Clara cuspiu no chão em direção à porta.
— Que vadia! Somos todas putas aqui, para que pagar de santa?!
O gentil motorista ajudou Zuleica a subir com Carlos até o apartamento.
Carlos desabou na cama e apagou imediatamente.
Com muito custo, Zuleica conseguiu trocar as roupas dele e vesti-lo com um pijama.
Ela sabia muito bem o motivo daquela bebedeira.
A mulher por quem ele jurou amor eterno e se sacrificou tanto acabou sendo quem mais o enganou. Era uma piada trágica.
Seria essa a famosa lei do retorno?
No passado, Naiara amava Carlos com tanta intensidade que jurava que só se casaria com ele, e no fim, Carlos a destruiu emocionalmente.
Agora, Adriana o havia ferido profundamente. Parecia mesmo karma.
Zuleica deslizou o indicador sobre os lábios de Carlos.
Eram lábios macios. Beijá-lo sempre era prazeroso.
O único problema era que, em cada momento de intimidade, sempre parecia faltar calor, faltar alma.
— Naiara...
O homem na cama parecia estar preso em um pesadelo e murmurou durante o sono.
— Naiara, volta para casa comigo... Eu estava errado...
O coração de Zuleica falhou uma batida.
Após soltar uma risada amarga para si mesma, tentou acalmar a tempestade em seu peito.
Por que estava com raiva?
Desde o início, ela não passava de uma amante, a intrusa que destruiu o casamento dos outros.
Zuleica se inclinou e depositou um beijo suave na testa de Carlos.
Suspirou fraco.
Para que se arrepender só agora?
Ele perdeu a mulher que o amava incondicionalmente. Querer recuperá-la agora seria quase impossível.
Ainda mais sabendo que havia outro homem na jogada, alguém que também olhava para Naiara com total devoção.
Carlos acordou com a cabeça latejando.
O sol já brilhava alto lá fora.
Ao verificar a hora, viu que já passava das dez da manhã.
Ele jogou as cobertas para o lado e caminhou até a sala de estar.
Zuleica estava na varanda, estendendo roupas no varal.
Carlos foi tomado por uma ilusão momentânea.
Carlos pegou a xícara e bebeu tudo de um gole só.
— Eu... passei muita vergonha lá?
Zuleica deu um sorriso contido.
— Nem tanto. Só bebeu até não aguentar e ficou abraçado com a Clara no sofá.
Carlos franziu o cenho.
— Eu abracei ela?
— Sim — confirmou Zuleica.
Ele começou a massagear as têmporas. Seu rosto não demonstrava arrependimento, apenas repulsa.
Nojo por ter se rebaixado a abraçar uma mulher tão fútil e interesseira.
Clara havia sido enviada pelo gerente do local.
No início, Carlos nem tinha prestado atenção nela.
Mas a garota era articulada e passou a noite toda bajulando e tentando agradá-lo.
Por isso, acabou permitindo que ela ficasse no camarote.
— Eu estava completamente fora de mim. Confundi ela com outra pessoa.
Zuleica se posicionou atrás dele e começou a massagear suas têmporas com os polegares.
— Achou que ela fosse a Naiara?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...