Naiara limpou a garganta seca.
— Alô.
Logo, uma voz arrastada, típica de quem bebeu demais, soou do outro lado da linha.
— Naiara.
Ao ouvir aquela voz, Naiara sentiu que foi do céu ao inferno em um segundo.
— Carlos?
— É, sou eu. Onde você está?
Naiara soltou um suspiro de exaustão.
— O que você quer?
— Não posso te procurar se não tiver um motivo? — retrucou ele, arrogante.
Naiara foi direta e cortante.
— Não!
E desligou na cara dele.
Apesar de tudo, Naiara agradeceu intimamente por aquela ligação. Pelo menos a fez voltar à realidade.
Mas saber que era o Carlos a fez pensar que preferia que ninguém tivesse ligado.
Pela voz, ele estava claramente bêbado.
Mas ela não se importava nem um pouco.
Ao desligar o telefone, percebeu que Afonso havia se levantado da cama.
— O que... o que você está fazendo?
Afonso pegou um cobertor dentro do armário.
— Vou dormir no sofá da sala. Fique com a cama.
Naiara não podia permitir uma coisa dessas.
Onde já se viu o paciente dormir no sofá?
— Você dorme aqui, eu vou para o sofá.
Enquanto caminhava para a porta, Afonso respondeu:
— Você está grávida, precisa descansar direito.
Naiara ia retrucar, mas ele cortou o assunto com firmeza.
— Não discuta. Vai ser assim e pronto.
Ela não teve escolha a não ser ceder.
Quando Afonso dava uma ordem, raramente havia margem para discussão.
O que ela não sabia era que Afonso fez aquilo de propósito.
Ele precisava desesperadamente sair daquele quarto para tomar um ar.
Tinha quase perdido o controle.
Por que sentiu uma vontade tão absurda de beijá-la?
Por que não conseguiu se segurar e teve uma reação física tão evidente?
Se não fosse pela ligação de Carlos, ele teria...
— Afonso, você já está dormindo?
O homem no sofá permaneceu em silêncio.
Parecia estar em sono profundo.
Uma voz suave e cheia de ternura fluiu lentamente para os ouvidos dele, como um riacho sereno:
— Afonso, não vou te culpar pelo que aconteceu agora há pouco. E muito menos pensar mal de você. Então, não fique colocando minhocas na cabeça. Durma bem.
Dito isso, Naiara se levantou e começou a se afastar.
— Desculpe.
A voz vinda de trás fez Naiara parar.
Ela se virou e deu um sorriso compreensivo.
— Eu sabia que você estava fingindo dormir.
— Você veio até aqui só para me dizer isso? — perguntou ele.
— Sim. Fiquei com medo de você perder o sono se culpando, achando que eu ficaria brava ou que te desprezaria.
O coração de Afonso deu um solavanco.
Ela realmente o conhecia bem.
Sempre conseguia decifrar com precisão o que ele estava pensando e do que ele precisava.
— Afonso, eu não te culpo. O fato de eu não ter te empurrado mostra que eu também errei. Um momento de impulso não é um crime. O importante é que nós dois paramos a tempo.
Ambos sabiam que não podiam ultrapassar aquela linha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...