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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 548

Naiara limpou a garganta seca.

— Alô.

Logo, uma voz arrastada, típica de quem bebeu demais, soou do outro lado da linha.

— Naiara.

Ao ouvir aquela voz, Naiara sentiu que foi do céu ao inferno em um segundo.

— Carlos?

— É, sou eu. Onde você está?

Naiara soltou um suspiro de exaustão.

— O que você quer?

— Não posso te procurar se não tiver um motivo? — retrucou ele, arrogante.

Naiara foi direta e cortante.

— Não!

E desligou na cara dele.

Apesar de tudo, Naiara agradeceu intimamente por aquela ligação. Pelo menos a fez voltar à realidade.

Mas saber que era o Carlos a fez pensar que preferia que ninguém tivesse ligado.

Pela voz, ele estava claramente bêbado.

Mas ela não se importava nem um pouco.

Ao desligar o telefone, percebeu que Afonso havia se levantado da cama.

— O que... o que você está fazendo?

Afonso pegou um cobertor dentro do armário.

— Vou dormir no sofá da sala. Fique com a cama.

Naiara não podia permitir uma coisa dessas.

Onde já se viu o paciente dormir no sofá?

— Você dorme aqui, eu vou para o sofá.

Enquanto caminhava para a porta, Afonso respondeu:

— Você está grávida, precisa descansar direito.

Naiara ia retrucar, mas ele cortou o assunto com firmeza.

— Não discuta. Vai ser assim e pronto.

Ela não teve escolha a não ser ceder.

Quando Afonso dava uma ordem, raramente havia margem para discussão.

O que ela não sabia era que Afonso fez aquilo de propósito.

Ele precisava desesperadamente sair daquele quarto para tomar um ar.

Tinha quase perdido o controle.

Por que sentiu uma vontade tão absurda de beijá-la?

Por que não conseguiu se segurar e teve uma reação física tão evidente?

Se não fosse pela ligação de Carlos, ele teria...

— Afonso, você já está dormindo?

O homem no sofá permaneceu em silêncio.

Parecia estar em sono profundo.

Uma voz suave e cheia de ternura fluiu lentamente para os ouvidos dele, como um riacho sereno:

— Afonso, não vou te culpar pelo que aconteceu agora há pouco. E muito menos pensar mal de você. Então, não fique colocando minhocas na cabeça. Durma bem.

Dito isso, Naiara se levantou e começou a se afastar.

— Desculpe.

A voz vinda de trás fez Naiara parar.

Ela se virou e deu um sorriso compreensivo.

— Eu sabia que você estava fingindo dormir.

— Você veio até aqui só para me dizer isso? — perguntou ele.

— Sim. Fiquei com medo de você perder o sono se culpando, achando que eu ficaria brava ou que te desprezaria.

O coração de Afonso deu um solavanco.

Ela realmente o conhecia bem.

Sempre conseguia decifrar com precisão o que ele estava pensando e do que ele precisava.

— Afonso, eu não te culpo. O fato de eu não ter te empurrado mostra que eu também errei. Um momento de impulso não é um crime. O importante é que nós dois paramos a tempo.

Ambos sabiam que não podiam ultrapassar aquela linha.

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