Naiara torceu a toalha e começou a limpá-lo com extremo cuidado.
Do rosto ao pescoço, passando pelo peitoral e descendo até o abdômen...
Ela fazia tudo com muita atenção e delicadeza.
Sua mente repetia como um mantra: Naiara! Não pense besteiras.
No entanto, suas orelhas, vermelhas como pimenta, a entregavam completamente.
O humor de Afonso estava excelente; era como se nem sentisse mais a dor dos ferimentos.
— Vou trocar a água e lavar os seus pés — disse Naiara.
Assim que ela se virou, teve o pulso segurado.
A voz de Afonso soou levemente rouca.
— Não precisa fazer isso.
Deixá-la limpar seu corpo já era o limite do que ele conseguia aceitar.
Como permitiria que ela lavasse seus pés?
Naiara, por outro lado, não se importava.
— Não tem problema, é só lavar os pés.
— Não permito.
— É sério, não tem problema — Naiara soltou a mão dele. — Me espera aqui, volto rapidinho.
Dito isso, virou-se para sair.
Mas Afonso agarrou sua mão novamente.
Dessa vez, porém, o movimento foi muito brusco e acabou repuxando o ferimento nas costas.
Afonso soltou um gemido abafado de dor.
Naiara levou um susto e subiu rapidamente na cama para verificar o machucado.
Por baixo da gaze branca, uma mancha de sangue começou a aparecer.
Com o coração apertado, ela o repreendeu:
— Eu não disse para você não se mexer bruscamente?!
Mas a resposta que obteve não foi em palavras, e sim com uma respiração pesada.
Acontece que a gola da blusa de Naiara havia se aberto, revelando seu sutiã preto.
E, por conta da gravidez, seus seios estavam ainda mais fartos e voluptuosos, incrivelmente provocantes.
Ajoelhada na cama, Naiara sentiu tanta vergonha que desejou que um buraco se abrisse no chão para ela se esconder.
— Eu... eu vou... buscar a água...
Sua única saída para não morrer de constrangimento era fugir dali o mais rápido possível.
Mas, no desespero de se levantar às pressas, suas pernas fraquejaram e ela caiu novamente.
Esqueceu quem era.
Esqueceu suas responsabilidades.
Só sabia que precisava beijá-la.
Quando os lábios dele começaram a se aproximar, a mente de Naiara simplesmente parou de funcionar.
Ela não desviou, apenas ficou olhando fixamente.
Não porque não quisesse desviar, mas porque esqueceu como fazer isso.
Seu corpo parecia não obedecer mais aos comandos do cérebro.
Quando os lábios de Afonso estavam a milímetros dos dela, o coração de Naiara perdeu o ritmo por completo, e suas mãos agarraram o lençol com força.
De repente, o toque do celular soou como um trovão, rasgando o silêncio do quarto.
E estilhaçando o clima quente que havia se formado.
Os dois se afastaram num solavanco, como se tivessem levado um choque.
Naiara procurou o celular em desespero.
Afonso o pegou no criado-mudo e estendeu para ela.
Naiara nem olhou para o identificador de chamadas, apenas atendeu.
Atender àquela ligação era a única maneira de amenizar a atmosfera absurdamente constrangedora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...