Ao deixar a Mansão Xavier, as costas de Afonso já estavam em carne viva, banhadas em sangue. Mesmo assim, ele caminhava com a postura reta, sem soltar um único gemido.
Assim que entraram no carro, Eduardo instruiu José com urgência:
— Chame o médico da família para tratar os ferimentos do jovem mestre o mais rápido possível. Ele não pode ter uma infecção de jeito nenhum.
José estava com o coração na mão, quase em desespero.
— Pode deixar, tio Eduardo.
Eduardo soltou um longo e pesado suspiro.
— Jovem mestre, não guarde rancor do seu pai. Ele fez o que precisava ser feito.
Afonso apenas murmurou um assentimento contido. O carro acelerou gradualmente, desaparecendo ao longe. Eduardo retornou para o interior da mansão. Henrique estava de pé, observando pela grande janela de vidro.
— Já foram?
— Sim, já mandei embora.
— Avise ao médico para ir atendê-lo.
— Já avisei ao José. O José é muito confiável nessas horas.
— Hm.
— Patrão.
Eduardo servira Henrique por décadas; conhecia seu temperamento como a palma da mão. Ele era rigoroso, sim, mas sempre foi um homem de muita lucidez. Jamais agrediria José sem um motivo muito bem calculado, como fez hoje. Estando a sós, Eduardo pôs as cartas na mesa.
— Na verdade, José não cometeu erro algum neste caso. Por que o senhor insistiu em puni-lo? Imagino que não tenha sido apenas por ele ter respondido aquelas duas vezes.
Henrique desviou o olhar da janela. A partida do carro deixou um vazio incômodo em seu peito.
— Afonso precisa ter ao lado dele alguém de extrema lealdade, alguém disposto a dar a vida para protegê-lo.
— José já é muito fiel ao jovem mestre — argumentou Eduardo. — Senão, não teria arriscado a própria vida para salvá-lo naquela época.
— Eu não duvido da lealdade de José para com Afonso. Só quis colocar um pouco mais de lenha nessa fogueira.
— Agora entendi a intenção do senhor. — Os olhos de Eduardo se iluminaram com a compreensão. — O senhor puniu José de propósito, sabendo que o jovem mestre iria protegê-lo com unhas e dentes, preferindo receber o castigo em seu lugar. Dessa forma, José ficaria comovido com a lealdade do jovem mestre e, no futuro, lutará com ainda mais ferocidade para protegê-lo.
— Quero que ela veja com os próprios olhos o tipo de punição que Afonso sofreu por causa dela. Se ela tiver algum sentimento ou senso de decência em relação a ele, saberá exatamente o que fazer.
Eduardo assentiu, pensativo. O patrão estava matando dois coelhos com uma cajadada só. Consolidou a lealdade absoluta de José e, de quebra, faria a Srta. Naiara sentir-se culpada o suficiente para se afastar de Afonso por conta própria.
...
Carlos chegou pontualmente ao endereço que lhe havia sido enviado. O destino era um condomínio residencial comum. Assim que o carro estacionou perto do bloco indicado, notou alguém aguardando na entrada. Carlos desceu do veículo. O homem se aproximou.
— Sr. Carlos, por favor, me acompanhe até o andar de cima.
Carlos hesitou, desconfiado, e não moveu um músculo.
— Fique tranquilo, Sr. Carlos. Ninguém fará nenhum mal a você — garantiu o homem.
Notando que Carlos ainda relutava, o homem apelou para o ego dele.
— Isto é apenas um condomínio residencial. O grande Sr. Carlos não tem nem essa coragem?
A provocação funcionou. Sem dizer mais nada, Carlos o seguiu para dentro do prédio. Zuleica caminhava logo atrás dele, sem demonstrar a mínima tensão. Ela acreditava firmemente que um homem do nível de Afonso não jogaria sujo. Acreditava que a visita de hoje serviria pura e simplesmente para entregar a Carlos as provas sobre aquele exame de DNA.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...