Carlos já havia descarregado toda a sua fúria e, aos poucos, foi se acalmando.
— Zuleica.
Zuleica murmurou uma confirmação rápida e assustada.
— Amanhã, você vai comigo.
Ela nem sequer ousou perguntar para onde iriam.
— Está bem.
Carlos passou as mãos pelos cabelos com força.
— Traga mais cerveja.
— Acabou — respondeu Zuleica, hesitante.
— Então vá comprar! — rosnou ele.
Zuleica suportou a dor latejante no abdômen e se levantou.
Após dar apenas alguns passos, Carlos a chamou de volta.
— Venha cá.
Obediente, ela retornou.
Ele agarrou o pulso dela, puxou-a para que sentasse em seu colo e escondeu o rosto no colo da mulher.
Muito tempo se passou até que Carlos voltasse a falar. Sua voz soava rouca, ainda carregada de um resquício de ira não totalmente expurgada.
— Não limpe nada disso hoje. Amanhã mande a diarista arrumar. Compre de novo tudo o que foi quebrado, eu reembolso você quando voltar.
— Hum — assentiu ela.
Carlos ergueu o rosto e notou o pânico disfarçado no olhar da mulher.
— Te assustei?
Zuleica forçou um sorriso pálido.
— Um pouco.
— É a primeira vez que vejo você assustada. Achei que não se importasse com absolutamente nada.
Ela permaneceu em silêncio.
Carlos ficou quieto por um longo instante.
— Se isso for verdade... o que você acha que eu deveria fazer?
— Ah, não é nada. É que estou tentando ligar para o Carlos e não consigo. Estou com medo de que algo tenha acontecido.
Karina deu de ombros, sem dar muita importância.
— O que poderia ter acontecido? Relaxe. Não é a primeira vez que ele não vem jantar em casa. Deixe-o para lá e coma a sua comida.
— Eu... eu não estou com muito apetite. Não vou comer. Mãe, acho que vou para o meu quarto descansar.
— Vá, então.
Assim que Adriana entrou no quarto, ouviu o choro estridente do bebê. A babá tentava embalá-lo enquanto preparava o leite na mamadeira.
O som irritou Adriana profundamente.
— Leve-o daqui! Não quero vê-lo hoje.
A babá hesitou por alguns segundos antes de levar a criança para o outro cômodo. No fundo, a funcionária não conseguia evitar o murmúrio mental: Por que a patroa parecia tão indiferente ao próprio filho biológico?
Sozinha, Adriana pegou o celular. Desbloqueou a tela, tirou um número específico da lista de bloqueados e iniciou a chamada.
Uma voz masculina, carregada de cinismo, atendeu logo em seguida.
— Ora, ora! Senhorita Adriana, quanto tempo! A que devo a honra dessa ligação hoje? Pensei que estivesse na minha lista de bloqueados há séculos!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...