Carlos não forçou mais Zuleica a beber. Esvaziou várias latas de cerveja sozinho, mergulhado em seus pensamentos.
Zuleica permaneceu sentada ao lado, em silêncio absoluto, apenas o observando.
Esse homem havia mudado.
Parecia menos agressivo, com a hostilidade atenuada.
E talvez, um pouco mais gentil.
Essa mudança era um milagre raro.
Mas Zuleica sabia no fundo da alma: a mudança de Carlos não era por causa dela.
Era por causa da ex-esposa.
O som de uma notificação de mensagem cortou o silêncio. O celular dele estava sobre a mesa.
Carlos estava com preguiça de olhar.
— Veja para mim o que é.
A confiança que Carlos depositava nela era tamanha que Zuleica sabia até a senha do aparelho.
A senha era a data de aniversário de Carlos.
Ela digitou os números.
Erro.
Achou que tinha esbarrado na tecla errada e digitou de novo.
Erro novamente.
— Acho que a senha está errada.
Carlos piscou, lembrando-se de um detalhe.
— Eu mudei. É o aniversário dela, 0812.
Zuleica sentiu um aperto no estômago, mas digitou a nova senha.
A tela foi desbloqueada.
— É uma mensagem de um número desconhecido.
— O que diz?
— Parece ser um arquivo.
— Abra.
Zuleica clicou no link e ampliou o documento.
O título brilhava na tela: *Relatório de Teste de Paternidade*.
Ela rolou a página para baixo.
O choque roubou sua voz. Ficou paralisada.
Como ela não disse nada por vários segundos, Carlos pressionou:
— E então? Que arquivo é esse?
Zuleica não teve coragem de ler em voz alta. Apenas entregou o celular nas mãos dele.
Era do mesmo número anônimo.
*[Sr. Carlos, este é um presente de casamento do Sr. Afonso: o verdadeiro exame de DNA do pequeno herdeiro da família Lucca. O laudo físico original já foi entregue na sua mansão. O Sr. Afonso enviou esta cópia digital para garantir que o senhor recebesse a notícia. É natural que o senhor desconfie deste laudo. Não tem problema, alguém vai lhe contar toda a verdade. Amanhã, às dez da manhã, compareça ao endereço que enviarei a seguir.]*
Logo embaixo, a localização chegou.
O celular quase esfarelou na mão de Carlos.
As veias de seu pescoço saltaram, grossas e pulsantes. Seu rosto estava tão sombrio que parecia uma bomba prestes a detonar, e seus olhos negros eram como lâminas recém-tiradas do fogo.
Zuleica tocou levemente no braço dele, apavorada.
— Carlos, você...
— Fora!
Carlos rugiu, levantando-se de supetão e arremessando o celular contra a parede.
O aparelho se estilhaçou no chão, espalhando peças por todo lado.
Zuleica, branca de terror, calou-se no mesmo instante.
Logo depois, Carlos começou a destruir o apartamento. Chutava mesas, espatifava objetos, rugindo como um animal ferido, desesperado para arrancar do peito aquela fúria enlouquecedora.
Zuleica encolheu-se no canto do sofá, tapando os ouvidos e fechando os olhos, implorando para não ver nem ouvir nada daquilo.
Muito tempo se passou até que o silêncio finalmente retornasse ao ambiente.
Quando Zuleica teve coragem de erguer a cabeça, viu um cenário de guerra.
Todos os vasos preciosos que ela havia levado anos para colecionar estavam reduzidos a cacos no chão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...