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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 527

Carlos não forçou mais Zuleica a beber. Esvaziou várias latas de cerveja sozinho, mergulhado em seus pensamentos.

Zuleica permaneceu sentada ao lado, em silêncio absoluto, apenas o observando.

Esse homem havia mudado.

Parecia menos agressivo, com a hostilidade atenuada.

E talvez, um pouco mais gentil.

Essa mudança era um milagre raro.

Mas Zuleica sabia no fundo da alma: a mudança de Carlos não era por causa dela.

Era por causa da ex-esposa.

O som de uma notificação de mensagem cortou o silêncio. O celular dele estava sobre a mesa.

Carlos estava com preguiça de olhar.

— Veja para mim o que é.

A confiança que Carlos depositava nela era tamanha que Zuleica sabia até a senha do aparelho.

A senha era a data de aniversário de Carlos.

Ela digitou os números.

Erro.

Achou que tinha esbarrado na tecla errada e digitou de novo.

Erro novamente.

— Acho que a senha está errada.

Carlos piscou, lembrando-se de um detalhe.

— Eu mudei. É o aniversário dela, 0812.

Zuleica sentiu um aperto no estômago, mas digitou a nova senha.

A tela foi desbloqueada.

— É uma mensagem de um número desconhecido.

— O que diz?

— Parece ser um arquivo.

— Abra.

Zuleica clicou no link e ampliou o documento.

O título brilhava na tela: *Relatório de Teste de Paternidade*.

Ela rolou a página para baixo.

O choque roubou sua voz. Ficou paralisada.

Como ela não disse nada por vários segundos, Carlos pressionou:

— E então? Que arquivo é esse?

Zuleica não teve coragem de ler em voz alta. Apenas entregou o celular nas mãos dele.

Era do mesmo número anônimo.

*[Sr. Carlos, este é um presente de casamento do Sr. Afonso: o verdadeiro exame de DNA do pequeno herdeiro da família Lucca. O laudo físico original já foi entregue na sua mansão. O Sr. Afonso enviou esta cópia digital para garantir que o senhor recebesse a notícia. É natural que o senhor desconfie deste laudo. Não tem problema, alguém vai lhe contar toda a verdade. Amanhã, às dez da manhã, compareça ao endereço que enviarei a seguir.]*

Logo embaixo, a localização chegou.

O celular quase esfarelou na mão de Carlos.

As veias de seu pescoço saltaram, grossas e pulsantes. Seu rosto estava tão sombrio que parecia uma bomba prestes a detonar, e seus olhos negros eram como lâminas recém-tiradas do fogo.

Zuleica tocou levemente no braço dele, apavorada.

— Carlos, você...

— Fora!

Carlos rugiu, levantando-se de supetão e arremessando o celular contra a parede.

O aparelho se estilhaçou no chão, espalhando peças por todo lado.

Zuleica, branca de terror, calou-se no mesmo instante.

Logo depois, Carlos começou a destruir o apartamento. Chutava mesas, espatifava objetos, rugindo como um animal ferido, desesperado para arrancar do peito aquela fúria enlouquecedora.

Zuleica encolheu-se no canto do sofá, tapando os ouvidos e fechando os olhos, implorando para não ver nem ouvir nada daquilo.

Muito tempo se passou até que o silêncio finalmente retornasse ao ambiente.

Quando Zuleica teve coragem de erguer a cabeça, viu um cenário de guerra.

Todos os vasos preciosos que ela havia levado anos para colecionar estavam reduzidos a cacos no chão.

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