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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 529

A espera era monótona e, ao mesmo tempo, torturante.

Como todos estavam consumidos pela preocupação, ninguém conseguiu comer direito as marmitas que José havia comprado. A única exceção era Gualter, que comeu até se fartar e, com uma perna jogada sobre a cadeira, já estava roncando.

Naiara se lembrou de uma conversa que teve com ele certa vez.

Ele havia dito: "Cresci sem pai nem mãe, sofri todo tipo de humilhação, passei por muitas provações e já até fui preso. Posso dizer que já morri uma vez. Então, hoje, não importa o que aconteça, eu vejo as coisas com distanciamento. Se for para viver, vivo; se for para morrer, morro. Não posso controlar isso, então escolhi deixar a vida seguir seu curso."

Ela tinha que admitir, era uma filosofia de vida impressionante. Acontecesse o que acontecesse, ele conseguia encarar de frente e aceitar em paz.

O celular de Naiara vibrou. Era uma mensagem de Fábio.

[Como está a garota? A cirurgia já acabou?]

Naiara digitou rapidamente: [Ainda não, acho que vai até o meio da noite. E você, como está?]

[Estou ótimo. Não se preocupe comigo agora. Quando tiver notícias dela, me avise.]

[Pode deixar.]

Após responder, Naiara começou a ser vencida pelo cansaço. Mesmo assim, lutava para se manter acordada. Queria esperar até o fim da cirurgia para ver Natália sair daquela sala.

Mas as pálpebras pesavam de forma impiedosa. Quando percebeu que não aguentaria mais, virou-se para Afonso.

— Vou fechar os olhos um pouquinho. Me acorde em vinte minutos.

— Tudo bem — respondeu ele.

Naiara adormeceu quase instantaneamente.

Belmira se aproximou a passos lentos.

— Dormiu?

— Sim — confirmou Afonso.

— Não a deixe pegar friagem.

Afonso tirou o próprio paletó e o ajeitou cuidadosamente sobre os ombros dela. Belmira voltou para o lado de Leonardo, observando os dois com os olhos brilhando de satisfação.

— Leonardo, olhe para esses dois. Quanto mais eu olho, mais acho que eles têm uma sintonia perfeita de marido e mulher.

Leonardo fez um sinal para que ela fizesse silêncio. Certas coisas deviam ser guardadas apenas no coração para evitar constrangimentos desnecessários.

O "pouquinho" de Naiara durou mais de uma hora. Ao acordar, percebeu que estava deitada nos assentos, coberta pelo paletó de Afonso e que seu travesseiro era... a coxa dele!

Afonso abaixou o olhar bem no momento em que ela abriu os olhos. O contorno perfeito de seu queixo e a linha desenhada de seus lábios estavam tão próximos que pareciam esculpidos.

Naiara engoliu em seco, constrangida.

Afonso a observava com um olhar tão suave que, sem perceber, um leve sorriso se formou no canto de seus lábios.

Isadora retornava do banheiro quando presenciou a cena. Ao ver a forma como Afonso olhava para Naiara, com tanta ternura e adoração, seu coração voltou a apertar de forma incômoda.

Ela deu um leve tapa no próprio rosto. Isadora! Pare de se iludir!

O tempo da cirurgia foi mais curto do que o esperado. Passava das onze da noite quando as portas finalmente se abriram.

Todos se aglomeraram em volta do cirurgião-chefe de Natália.

— A cirurgia foi um sucesso absoluto — anunciou o médico, aliviado. — Com mais duas sessões de reparação no futuro, ela basicamente poderá ter a vida de uma pessoa normal.

As lágrimas brotaram nos olhos de Naiara. Ela perguntou, com a voz trêmula:

— Quanto tempo... quanto tempo a criança vai poder viver?

O médico suspirou aliviado e sorriu.

— Desde que siga um tratamento adequado e não pratique esportes de altíssimo impacto, a expectativa de vida dela não será afetada.

Só então Naiara se permitiu respirar fundo. A rocha esmagadora que pesava em seu peito finalmente havia sido retirada. A sensação de leveza era indescritível.

Natália foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva. Ficaria em observação por vinte e quatro horas e, se tudo corresse bem, seria enviada ao quarto comum. O desejo da menina de acordar e ver a família inteira reunida teria que esperar mais um pouco.

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