Gualter olhou para trás, observando os dois.
— Essa água mineral é tão ruim assim para você engasgar?
Naiara retrucou, impaciente: — Eu nem deveria ter te recolhido daquela delegacia.
Gualter obedeceu e ficou em silêncio.
A cabecinha do pequeno José ainda olhava ao redor, cheio de curiosidade.
Naiara lançou um olhar para Afonso.
Coincidentemente, Afonso também a observava.
Quando os olhares se cruzaram, uma corrente elétrica intensa pareceu atravessar os dois, fazendo com que desviassem o rosto no mesmo instante.
A expressão de Afonso revelava um leve desconforto.
O coração de Naiara também acelerou.
Naquela noite, ela havia sido drogada, e os dois...
Embora Naiara não se lembrasse de absolutamente nada do que havia acontecido, os lábios machucados de Afonso na época já indicavam muita coisa.
As imagens que sua mente tentava formar eram ruborizantes demais. Ela sentiu as bochechas queimarem.
Belmira notou a mudança.
— Naiara, está com calor? Seu rosto está tão vermelho.
Naiara tocou as bochechas com as costas da mão.
— É, está um pouco quente.
Os olhos espertos de Gualter iam de um para o outro, captando tudo.
Naiara sentiu um frio na espinha sob o olhar dele e lhe lançou um aviso silencioso.
Esse sujeito... às vezes dava vontade de costurar a boca dele.
Enquanto isso, Isadora permaneceu calada o tempo todo.
Ela parecia ter adivinhado algo, e uma pontada de incômodo apertou seu peito.
Embora repetisse para si mesma que não deveria nutrir pensamentos que não lhe cabiam, era impossível controlar as próprias emoções.
Naiara olhou de relance para Isadora.
Ao vê-la distante, com o cenho franzido, entendeu o que se passava.
Mas não queria se intrometer nos sentimentos dela.
Leonardo chegou apressado logo após o fim do expediente.
— Como estão as coisas?
Naiara respondeu: — Ela já está lá dentro há umas quatro ou cinco horas. Ainda vai demorar bastante.
Leonardo tentou tranquilizá-la.
— Não se preocupe. Eu já chamei especialistas renomados de Porto das Estrelas. Vai dar tudo certo.
Hm?
Naiara paralisou.
Como seu padrinho sabia que os especialistas eram de Porto das Estrelas?
No caminho de volta, Carlos não disse uma única palavra.
Adriana estava sentada ao lado dele, com o bebê no colo, e seus olhos transbordavam um ressentimento silencioso.
O que aconteceu no hospital a fez quase perder o controle.
Só Deus sabia o quanto foi difícil engolir o orgulho e se calar.
Na metade do trajeto, a atmosfera no carro tornou-se sufocante para Carlos.
— Pare o carro!
O veículo encostou lentamente na calçada.
Carlos virou-se para Adriana e ordenou: — Leve a criança e vá para casa primeiro.
Adriana conteve a raiva e tentou soar dócil. — Carlos, nós não tínhamos combinado de jantar juntos hoje?
Ele não tinha a menor paciência para jantares.
— Surgiu um imprevisto.
Adriana, obviamente, não acreditou.
O celular dele não havia tocado nenhuma vez durante o trajeto.
Que imprevisto era esse que surgiu do nada?
Era uma desculpa esfarrapada.
Carlos, sabendo que ela duvidaria, inventou algo rápido.
— O julgamento da Vitória foi adiado. Quero conversar com os advogados dela de novo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...