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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 524

Como a audiência de Vitória realmente havia sido adiada hoje por motivos de saúde, Adriana ficou dividida entre acreditar ou não.

— Então eu vou com você — sugeriu, testando o terreno.

— Não precisa. — A voz de Carlos carregava impaciência. — Ronaldo, leve-a para casa. Mais tarde eu aviso quando deve vir me buscar.

Ronaldo assentiu. — Sim, Sr. Carlos.

O assistente já imaginava para onde o chefe estava indo.

Carlos desceu, acenou para um táxi na rua e partiu na direção oposta.

A criança dormia profundamente no colo de Adriana, uma cena que deveria ser adorável. Mas ela não tinha um pingo de instinto materno. Na verdade, sentia tanto nojo que a vontade era largar o bebê no banco.

— Ronaldo — Adriana chamou, quebrando o silêncio.

— Pois não, Senhora — ele respondeu, com um tom neutro.

Ele ainda se lembrava muito bem do tapa que levou da última vez.

Adriana, é claro, também não havia esquecido.

— Fui muito impulsiva aquele dia em que te bati. Por favor, não leve para o lado pessoal.

Ronaldo soltou um riso frio mentalmente, mas manteve a postura impecável.

— Imagina. A senhora é a patroa, e eu sou apenas um assistente do Sr. Carlos. Se cometi um erro, é natural que a senhora me repreenda.

Adriana ficou satisfeita com a resposta.

Se ele não fosse o braço direito de Carlos, ela jamais se rebaixaria para pedir desculpas. Aquele falso pedido de perdão já era um privilégio.

— Ronaldo, o Carlos tem andado muito ocupado ultimamente, não é?

Ela fingia um tom casual, de esposa compreensiva.

Ronaldo confirmou: — Sim, bastante ocupado.

— Dá para notar. Ele tem feito muitas horas extras, às vezes nem volta para dormir. E quando ele não volta, onde ele costuma ficar?

Ronaldo não era idiota. Entendeu a armadilha no mesmo instante.

Ela estava tentando arrancar informações. Achava mesmo que ele cairia nessa?

— Ele dorme no quarto de descanso do escritório.

— É mesmo? Sozinho?

— Sim, sozinho.

— Engraçado... então por que eu sinto que ele frequentemente chega com cheiro de perfume de mulher?

— Deve ser de alguma colega da empresa, ou talvez tenha pegado o cheiro durante algum jantar de negócios.

— Falando em negócios... — Adriana começou a admirar as unhas feitas no dia anterior, num gesto ensaiado. — Vocês não têm uma cliente muito bonita? Acho que ela até acompanhou vocês na última feira de robótica.

Ronaldo travou por um segundo.

Será que houve algo assim?

Diante de uma resposta incerta, ele optou pela evasiva mais segura.

Ela hesitou, a mão pairando no ar.

O envelope estava lacrado. Se abrisse, Carlos saberia que ela mexeu em suas coisas pessoais.

Isso era o maior tabu para ele. Ninguém tocava no que era dele sem permissão.

Mas... e se fosse algo contra ela? O que faria?

Depois de ponderar, Adriana recuou e deixou o envelope na mesa.

Caminhou até a porta, mas parou.

Sua pálpebra tremia sem parar, um presságio típico de que algo ruim estava prestes a acontecer.

O que poderia ser?

Teria a ver com o documento?

Que se dane!

Se ele descobrisse, ela inventaria uma desculpa qualquer.

Com essa resolução, Adriana rompeu o lacre e puxou o conteúdo.

Era um laudo laboratorial.

Ao ler as linhas do relatório, o sangue fugiu de seu rosto. Ela cambaleou para trás, aterrorizada, até despencar no sofá de couro.

Como isso é possível...

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