Natália baixou os olhos rapidamente, fingindo ler o livro.
Em seu íntimo, sussurrou: 'Não foi um sonho. Alguém realmente entrou aqui. Mas não veio nos visitar, veio visitar você, irmã.'
Natália ainda se lembrava nitidamente daquele olhar profundo e carregado de afeto que o irmão bonito direcionara a Naiara.
Duas batidas soaram na porta do quarto.
Naiara ergueu o rosto, surpresa.
— Madrinha?
Como a madrinha sabia que ela estava no hospital?
Ela ainda não havia avisado ninguém.
Belmira tratou logo de explicar.
— Ontem, quando a Felícia ligou para o Afonso, o seu padrinho estava perto e ouviu tudo. Ele ficou preocupado e pediu que eu viesse dar uma olhada. E aqui estou eu.
Belmira colocou a sacola que trazia sobre a mesa.
— Acordei bem cedo hoje para fazer uma sopa.
Então, era o Afonso...
Se ela soubesse, teria contado a verdade quando pediu para se ausentar.
Agora, ele precisou descobrir através de terceiros.
O que o Afonso estaria pensando?
Será que achava que ela estava tentando se afastar dele de propósito?
Naiara conteve seus pensamentos. — Madrinha, deixe-me apresentá-la.
Ela repousou a mão no ombro da garota.
— Esta é a Natália.
— Natália, esta é a minha madrinha.
Achando a senhora muito simpática, Natália reuniu um pouco mais de coragem.
— Tia.
Belmira deu uma risada. — Pela minha idade, eu poderia muito bem ser sua avó!
Natália coçou a cabeça, confusa.
— Mas se eu te chamar de avó, eu não vou mais poder chamar ela de irmã. A irmã vai ter que virar tia.
Naiara refletiu seriamente sobre a lógica da garota.
— Sendo assim, acho melhor você passar a me chamar de tia e chamá-la de avó. Faz mais sentido.
Natália balançou a cabeça com força.
Naiara trocou um olhar cúmplice com a madrinha.
Belmira entendeu o recado e não disse mais nada sobre o assunto.
Naiara e Natália tomaram uma tigela de mingau cada uma.
Após a refeição, Belmira foi lavar a louça e Naiara a acompanhou para ajudar.
Belmira fechou a porta com cuidado.
— Naiara, seja sincera com a sua madrinha. Você realmente planeja assumir a responsabilidade por essa criança?
Naiara respondeu com uma convicção serena. — Sim.
— Você precisa pensar com muita clareza. Não é um compromisso de um ou dois dias. É uma responsabilidade para a vida inteira. E, uma vez que assumir isso, não poderá simplesmente abrir mão.
— Eu sei, madrinha. Já pensei muito sobre o assunto. Não se preocupe, eu tenho condições financeiras para criá-la.
Naiara tocou a própria barriga de forma instintiva.
— E quando o meu bebê nascer, ele já terá uma irmã mais velha.
— E você discutiu isso com o Afonso?
Naiara hesitou por um segundo. Sua voz perdeu um pouco da firmeza.
— Por que eu precisaria discutir isso com ele...?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...