— O Afonso é um homem com muita iniciativa e visão de futuro. — aconselhou Belmira, com um tom maternal. — Ele é cuidadoso, age com prudência e enxerga as coisas a longo prazo. Quando você tiver que tomar decisões importantes, não faria mal nenhum ouvir a opinião dele.
Naiara sentiu um nó no peito e resmungou, num sussurro defensivo.
— Falando assim, até parece que sou uma irresponsável. Eu sei que ele é excelente, mas eu também não fico para trás...
Belmira fez uma pausa, surpresa.
— Naiara, você e o Afonso brigaram?
Naiara se recompôs. — Claro que não. Imagina.
— Normalmente, quando eu falo do Afonso, você não reage assim. Hoje você está muito arredia.
— Não estou...
— Tem certeza de que não houve nada? — O sorriso de Belmira carregava uma leve desconfiança. — Então por que vocês dois estão agindo de forma tão estranha?
Naiara adotou um tom manhoso. — Eu não estou agindo estranha.
— Então deve ser o Afonso que está.
— Ele... — O coração de Naiara deu um salto no peito. — Como assim, ele está estranho?
Belmira empilhou as tigelas recém-lavadas e enxugou as mãos num pano.
— Foi ele quem me trouxe até aqui.
Naiara congelou.
O Afonso estava ali?
— Ele está lá embaixo, no carro, no estacionamento. — continuou Belmira. — Eu o chamei para subir, mas ele se recusou. Quando perguntei o motivo, ele disse que não gosta do cheiro de desinfetante de hospital.
— Eu nem sabia que esse garoto tinha problemas com cheiro de desinfetante.
Naiara ficou parada, atônita por vários segundos.
Belmira abriu a porta do banheiro.
— O que foi, Naiara?
Naiara despertou de seu torpor.
— Madrinha, eu vou descer um instante. Cuida da Natália para mim.
Dizendo isso, ela saiu apressada.
Belmira deu dois passos atrás dela, alertando.
— Vá com calma! Não corra, lembre-se do seu estado!
Ao voltar para o quarto, murmurou uma repreensão suave.
Naiara soltou um suspiro de frustração.
O que diabos eu estou fazendo...?
Desistindo da ideia, ela deu as costas.
Caminhou alguns passos, mas sentiu um olhar sobre si. Ao virar-se, varreu o ambiente com os olhos.
Sua visão parou em uma figura não muito distante.
O imponente Lincoln Navigator preto era uma aquisição recente.
Após o incidente com o colar da última vez, Fábio havia praticamente extorquido o carro esportivo de Afonso. Sem paciência para escolher outro esportivo, Afonso havia comprado aquele SUV de forma displicente, apenas para ter o que dirigir.
Neste exato momento, Afonso estava encostado na porta do veículo, com uma das mãos no bolso.
A expressão em seu rosto estava turva pela distância, ilegível.
Naiara não tinha sequer certeza se ele estava mesmo olhando para ela.
Ele continuou imóvel. Sua postura emanava uma letargia calculada e uma aura de 'não se aproxime'.
Naiara respirou fundo, ajustou sua postura e caminhou em direção a ele.
— Por que você não subiu?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...