Naiara deu um leve sorriso.
— Não tem problema. Eu vim justamente para levá-la ao médico.
Depois de dizer isso, bateu na porta novamente.
O vizinho, movido pela curiosidade, esticou o pescoço e espiou pela janela da casa.
Olhou por um instante e, de repente, deu um grito estridente.
— Ave Maria! Misericórdia! Tem outro defunto lá dentro!
O coração de Naiara deu um salto no peito. Sem pensar duas vezes, ela forçou a maçaneta e empurrou a porta com toda a sua força.
Mas, por incrível que pareça, a porta velha e frouxa emperrou justo na hora e não abria de jeito nenhum.
Os gritos escandalosos do vizinho rapidamente atraíram os moradores das redondezas.
Um homem forte se aproximou e, com um único chute, arrombou a porta.
O interior da casa exalava um odor estranho, impregnado no ar úmido, que deu a Naiara uma súbita vontade de vomitar.
Na cama improvisada de solteiro, a garota jazia esquálida, com o rosto tão pálido quanto o de um cadáver.
Naiara correu até ela e aproximou os dedos do nariz da menina para checar a respiração.
Graças a Deus. Ainda respirava.
Naiara ligou imediatamente para a emergência.
A ambulância não demorou a chegar. Os paramédicos colocaram a garota na maca e a levaram.
Naiara seguiu a ambulância em seu próprio carro até o hospital.
A menina foi levada direto para a sala de reanimação.
Naiara aguardava do lado de fora, angustiada.
Embora não conhecesse aquela criança, ela havia feito uma promessa e precisava assumir a responsabilidade.
Não morra!
Naiara orava silenciosamente.
O tempo se arrastou dolorosamente até que a porta da emergência finalmente se abriu.
Naiara caminhou apressada, com o coração na mão.
— Doutor, como ela está?
— O que você é da paciente? — perguntou o médico.
Desta vez, Naiara disse a verdade.
— Não temos nenhum laço familiar, mas eu prometi ao pai dela que cuidaria dela.
O médico balançou a cabeça com pesar.
Mas quando seu dedo pairou sobre o nome "Afonso" na lista de contatos, ela congelou.
Naiara, Naiara.
Você perdeu o juízo?
Ontem mesmo, ela havia jurado para si mesma que, não importava o que acontecesse, nunca mais causaria problemas a ele.
O que ela estava prestes a fazer agora?!
Mas se ela não fizesse aquela ligação, quem mais poderia ajudá-la?
Natália foi trazida para fora da sala.
Ainda estava desacordada por causa da anestesia.
Seu rosto continuava pálido. Mesmo tendo treze anos, parecia tão pequena e frágil que partia o coração de quem a visse.
O médico a acomodou em um quarto particular.
Natália estava cheia de tubos pelo corpo, com os olhos fortemente fechados.
A fragilidade e o desamparo da vida ficaram escancarados naquele momento.
Naiara sentou-se à beira da cama por um longo tempo.
Ela devia ou não... fazer aquela ligação?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...