A ligação veio da delegacia, trazendo uma notícia para Carlos.
Vitória Lucca havia desmaiado na carceragem após fazer greve de fome e estava internada no hospital. A polícia exigia a presença de Carlos.
E amanhã seria o dia em que Vitória seria formalmente indiciada.
Carlos chegou ao hospital.
Na porta do quarto, guardas uniformizados faziam a escolta.
Um deles se dirigiu a Carlos com um tom de conselho.
— O estado e o humor dela não estão nada bons nesses últimos dias. É melhor você ter uma conversa séria com ela. Cometer um erro não é o fim do mundo, desde que ela saiba se arrepender. Ela é muito jovem para querer desistir da vida assim.
Carlos abriu a porta e, no mesmo instante, viu Vitória deitada na cama do hospital, recebendo soro na veia.
Os cabelos estavam sujos e oleosos, a palidez de seu rosto era assustadora, e os lábios estavam tão secos que descamavam.
Carlos mal conseguiu reconhecer a Vitória que estava ali.
Uma garota que se olhava no espelho dezenas de vezes por dia, extremamente vaidosa com os cabelos e a aparência, havia se transformado naquilo.
Carlos sentiu um incômodo no peito.
Afinal, eles haviam crescido juntos.
Afinal, ela o chamava de irmão há mais de vinte anos.
Ao ouvir o barulho, Vitória abriu os olhos.
Eram olhos injetados de sangue, opacos como águas paradas, sem nenhum brilho.
Ela não o chamou de "irmão". Apenas disse:
— Você veio.
Sua postura e a voz soavam como se ela fosse outra pessoa.
Carlos murmurou em concordância, puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da cama. Após um longo silêncio, forçou-se a falar.
— Como você se deixou chegar a esse ponto?
Uma lágrima escorreu do canto do olho de Vitória e molhou o travesseiro.
— Eu odeio aquele lugar. Quero sair, quero ir para casa. Mas eu sei que não posso voltar.
Carlos cruzou as pernas, repousando uma mão sobre o joelho, com o olhar carregado de emoções complexas.
— Mesmo assim, não deveria ser tão teimosa. Por que fazer greve de fome?
— Não são bobagens. Eu tenho certeza. Você não vai me salvar.
— Você é minha irmã. Como eu não a salvaria?
— Sua irmã... — As lágrimas de Vitória voltaram a rolar. — Mas eu sou apenas sua irmã por parte de pai. A minha mãe não é a sua mãe. E a sua mãe sempre me odiou profundamente.
O que Carlos ia dizer morreu em sua garganta.
— Você... sabe?
— Ha. Na verdade, eu sei há muito tempo.
A voz de Vitória carregava uma melancolia antiga.
Naqueles dias trancada, ela de repente havia entendido muitas coisas.
— Quando eu tinha dezessete anos, a sua mãe e a avó tiveram uma discussão terrível no escritório. Na minha memória, foi a primeira vez que elas brigaram, e foi uma briga muito feia. Fiquei curiosa e colei o ouvido na porta para escutar.
— Eu ouvi a sua mãe me chamar de bastarda, dizer que eu era filha de uma vagabunda, e que ela desejava que eu morresse logo.
— Ela me amaldiçoou com as palavras mais venenosas que existem.
Como era de se esperar, Franciely deu dois tapas fortes no rosto de Karina naquela ocasião.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...