Naiara caminhava na direção do camarote.
Para sua surpresa, notou que Afonso não havia ido muito longe. Ele a esperava a poucos passos dali.
Uma sensação de calor confortou o peito de Naiara, e ela apertou o passo até ele.
— Por que não entrou?
— Aproveitei para tomar um pouco de ar fresco aqui fora. — respondeu Afonso.
Naiara não pensou muito a respeito.
— Entendi.
— Terminaram de conversar? — perguntou ele.
— Sim, terminamos.
Naiara pareceu se perder em pensamentos por um instante.
— Afonso.
— Sim?
— Você não acha que o amor é algo mágico? Às vezes, a gente sabe que vai se queimar, mas se atira nas chamas mesmo assim, sem olhar para trás.
Afonso a encarou fixamente, um traço de confusão cruzando seu olhar.
Naiara deu um sorriso sem graça.
— Não estou falando de mim, mas, no fim das contas, não sou muito diferente.
Anos atrás, ela amara Carlos até a alma doer. Aquilo não tinha sido exatamente se atirar nas chamas?
— A Zuleica acabou de me dizer que ama o Carlos. Eu queria ter dado um conselho, tentado fazê-la desistir, mas sei que não adiantaria nada.
O amor era assim: a menos que você fosse ferido até o osso, com cicatrizes impossíveis de apagar, provavelmente nunca acordaria da ilusão.
Exatamente como ela.
Afonso hesitou por alguns segundos.
— Se ela quer amar, que ame. Mesmo que seja para se queimar nas chamas. Pelo menos ela saberá o que é o amor.
Naiara percebeu que a expressão de Afonso estava ligeiramente diferente.
Será que ele havia se lembrado da pessoa por quem era apaixonado em segredo?
Movida pela curiosidade, Naiara não conseguiu evitar:
— Você lembrou daquela pessoa de quem gostava? Se arrepende de não ter se entregado ao amor quando pôde?
O sorriso nos lábios de Afonso carregava um traço de amargura.
— Talvez.
De repente, Naiara se lembrou de algo.
— Você disse antes que daria um grande presente quando eles se casassem. Era brincadeira, não era?
Afonso abriu um sorriso leve.
— Era verdade.
— Pura perda de dinheiro. — retrucou Naiara.
— Não tem valor financeiro. É só um pedaço de papel.
Naiara o olhou, surpresa.
— Um pedaço de papel?
— Sim. Para nós não serve de nada, mas para o Sr. Carlos, será muito útil.
Naiara franziu os lábios, tentando adivinhar o que seria. A expressão concentrada dava a ela um ar adorável.
Involuntariamente, os cantos dos lábios de Afonso se ergueram. Ele abaixou levemente a cabeça, aproximou-se do ouvido dela e sussurrou algumas palavras.
Naiara levou alguns segundos para processar a informação.
Será que aquele moleque estava escondendo algo dele?
Fábio empurrou Isadora de leve para o lado, levantou-se, caminhou até Afonso e encostou-se nele.
— Afonso...
Ele não terminou a frase. Apenas virou-se para Naiara e disse:
— É um presente para você.
Naiara ficou genuinamente chocada.
— Do nada? Por que você está me dando um colar?
Fábio deu de ombros.
— Olha a parte de trás do pingente.
Naiara virou a joia.
Havia uma letra "M" gravada.
Seria o "M" de Naiara Melo?
— Vi por acaso, achei a sua cara e trouxe para você. — disse Fábio.
Naiara não acreditou em uma única palavra.
Aquilo claramente era uma peça feita sob medida. Como alguém encontraria algo assim "por acaso"?
Mas independentemente de como ele conseguiu a joia, Naiara sabia que não podia aceitar.
— Não quero. Pode pegar de volta.
Fábio passou o braço pelos ombros de Afonso.
— Se não quer, joga fora. Para mim tanto faz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...