— Querida, por favor, abra a porta.
A porta se abriu.
Era realmente Carlos.
Leonardo levantou-se para recebê-lo.
— Eu disse à velha Sra. Franciely para não se incomodar. Fico sem graça em ver que o senhor Carlos veio pessoalmente.
Vestindo um sobretudo de lã preto que acentuava sua postura ereta, Carlos exalava uma aura arrogante e impecável.
Seu sorriso, no entanto, parecia um pouco forçado.
— Não foi incômodo algum, senhor Leonardo. Minha avó fazia questão de compartilhar esse chá de excelente qualidade. Como dizem, as boas coisas devem ser divididas.
— Senhor Carlos, por favor, entre e sente-se.
Carlos adentrou a sala de estar.
Ao ver uma figura familiar parada no meio da sala com um leve sorriso, ele piscou, achando que estava tendo uma alucinação.
As palavras escaparam de sua boca antes que pudesse filtrá-las.
— O que você está fazendo aqui?
Naiara não respondeu.
Ela já havia entendido qual seria o presente de Leonardo.
Como esperado, o homem mais velho tomou a frente e respondeu por ela.
— Fui eu quem a convidou para jantar conosco.
Carlos travou.
Naiara?
Jantar?
Desde quando essa mulher tinha tanta intimidade com o inacessível senhor Leonardo?
— Ah, esqueci de mencionar, senhor Carlos — continuou Leonardo, no mesmo tom polido. — Naiara agora é nossa afilhada. Ela é parte da nossa família.
Carlos escutou aquilo e sua mente deu um nó.
Afilhada?
O que diabos estava acontecendo?
Ele presumiu que, após o divórcio, ela estaria na miséria, deprimida e com uma vida difícil.
Então, por que ela parecia tão radiante, transbordando confiança e controle?
Que feitiçaria essa mulher usou para fazer o inflexível senhor Leonardo adotá-la como filha de consideração?
Uma enxurrada de perguntas girava na mente de Carlos. Ele queria exigir respostas de Naiara, mas não ousaria causar uma cena na frente de Leonardo.
— Madrinha, padrinho... obrigada.
Belmira afagou a cabeça dela com doçura.
— Eu e seu padrinho já sabemos o que aconteceu com sua mãe biológica. Infelizmente, sem provas concretas, as coisas precisam ficar assim por enquanto.
— Mas acredite na justiça divina. Cedo ou tarde, os céus farão com que a verdade venha à tona. É uma pena que sua mãe, bem quando poderia começar a ter uma vida boa, tenha...
— Senhora Belmira. — A voz de Afonso surgiu da porta do corredor, interrompendo a fala para alertar: — Lembre-se que a Naiara está grávida...
Belmira piscou, caindo em si, e engoliu o restante da frase trágica.
Mulheres grávidas não deviam ser expostas a emoções tão pesadas e depressivas.
Um sorriso largo substituiu a tristeza no rosto de Belmira.
— Hoje é meu dia de sorte! Ganhei uma afilhada maravilhosa e, de brinde, ainda serei avó de um neto ou neta!
— Ainda bem que o arrogante do senhor Carlos não sabe que você está esperando um filho dele, senão a situação viraria um pesadelo.
Naiara pesou a situação e tomou uma decisão.
Ela estava divorciada. Não tinha mais nenhum vínculo com a família Lucca. Não havia motivos para deixar a criança ser ligada ao nome de Carlos.
Com uma voz calma e inabalável, Naiara esclareceu:
— Este filho não é do Carlos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...