Naiara tirou mais uma peça de roupa do guarda-roupa, mediu-a contra o corpo e perguntou a Felícia:
— Felícia, o que acha desta?
Felícia não conseguiu conter o riso.
— Senhorita, esse já é o quinto conjunto. Para mim, todos estão ótimos.
Naiara suspirou, um pouco frustrada.
— Faz tanto tempo que não sou convidada para ir à casa de alguém que nem sei mais como me vestir ou o que dizer.
O coração de Felícia apertou-se de pena.
Naqueles três anos na família Lucca, eles tratavam Naiara quase com o mesmo rigor com que tratavam os criados.
Ela não podia fazer isso, não podia fazer aquilo; um mar de regras e restrições.
Felícia tentou confortá-la:
— Senhorita, apenas aja como se estivesse visitando a sua própria família. Não fique tão nervosa. Além do mais, o Sr. Afonso estará lá. Enquanto ele estiver presente, nada de ruim vai acontecer.
Depois de muito hesitar, Naiara acabou vestindo o primeiro conjunto de roupas que havia provado.
As outras opções lhe pareceram formais demais.
Parecia que ela ia a um banquete de gala.
Ela optou por uma calça pantalona branca combinada com um suéter azul-celeste.
Simples, mas extremamente elegante.
O cabelo escuro foi preso na altura da nuca em um coque solto, deixando algumas mechas caírem naturalmente pelas laterais do rosto.
Uma aparência despretensiosa, exalando um charme sereno e cativante.
Até mesmo Felícia ficou maravilhada.
— Senhorita, você está linda.
Naiara brincou, num tom leve:
— Os anos não perdoam.
— Você só tem vinte e oito anos! Ainda é muito jovem — retrucou Felícia. Logo depois, pareceu se lembrar de algo e suspirou. — Vê-la assim agora me faz lembrar de quando você entrou para a família Lucca. Em apenas três anos, parece que você havia se transformado em outra pessoa.
Sim.
Naiara sabia perfeitamente disso.
Foram precisos apenas três anos para transformá-la de uma jovem alegre e extrovertida em uma mulher ressentida e sem controle emocional.
— Senhorita, não me leve a mal por falar demais, mas se você encontrar alguém que ame no futuro, preste muita atenção. Nunca mais aja por impulso.
Encontrar alguém que ame novamente?
Provavelmente... isso não aconteceria mais.
Naiara interrompeu a si mesma.
Temia que, se continuasse a falar, Felícia acabaria entristecida novamente.
Como era de se esperar, Felícia já havia adivinhado o rumo da conversa, e seu semblante logo escureceu.
— Eu sinto muito pelo que aconteceu com a Senhora. Nos últimos dias, tenho tido pesadelos todas as noites. Sonho que a Senhora vem buscar a minha vida em cobrança.
— Felícia. — Naiara a abraçou com carinho. — Não tenha medo. Minha mãe era uma mulher muito boa, ela jamais viria cobrar sua vida. Ela apenas te agradeceria. Agradeceria por ter cuidado de mim como se eu fosse sua própria filha.
Os olhos de Felícia ficaram marejados.
— De onde eu tirei a bênção de ter uma filha como a senhorita?
— Felícia.
Naiara assumiu uma postura firme.
— Acredite em mim, eu farei justiça pela minha mãe. Eu farei com que os verdadeiros culpados paguem o preço.
Felícia assentiu repetidamente.
— Sim, eu confio na senhorita. Mas, por favor, me prometa uma coisa: não importa o que aconteça, não tente enfrentar tudo sozinha. Se achar que me contar não vai resolver, então conte ao Sr. Afonso.
— Tenho certeza de que o Sr. Afonso não poupará esforços para ajudá-la.
Naiara apenas apertou os lábios, mantendo-se em silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...