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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 292

A mulher na cama não parava de ter pesadelos, chutando as cobertas para longe a todo momento. Suas mãos se agitavam no ar, como se tentasse desesperadamente afastar algo invisível.

O homem que velava seu sono ao lado da cama não tinha outra escolha a não ser levantar-se repetidas vezes para cobri-la novamente.

Desta vez, no entanto, ela agarrou a camisa dele com força, os nós dos dedos ficando brancos.

— Mãe... para onde você está indo? — ela murmurou durante o sono.

Afonso franziu o cenho, uma pontada de dor genuína atravessando seu peito. Ele gentilmente soltou a mão dela, envolvendo-a na sua. Tirou os sapatos e recostou-se na beirada da cama, dando leves tapinhas por cima do edredom, em um ritmo constante e reconfortante.

Aos poucos, a respiração antes ofegante de Naiara foi se acalmando.

Durma. Durma bem.

Já passava da metade da madrugada quando Naiara finalmente abriu os olhos.

Ao se deparar com o quarto de conto de fadas, a lembrança da perda consecutiva de seus entes queridos voltou como uma marreta. O peito apertou tanto que até respirar se tornou uma tarefa dolorosa.

Sua mão estava sendo segurada por outra, grande e quente.

Era ele.

Afonso havia adormecido sentado, recostado contra a cabeceira da cama.

Ele deveria estar exausto. Afinal, há quanto tempo estava mantendo aquela mesma posição desconfortável? O quão cansativo aquilo devia ser...

Aqueles problemas não tinham nada a ver com ele, mas de alguma forma, ele sempre acabava sendo arrastado para o meio do caos.

Naiara, ah, Naiara... Será que você é mesmo um ímã de desastres, como Karina costumava dizer? Quem quer que se aproximasse dela, acabava perdendo a própria paz.

Naiara estendeu a mão livre, com a intenção de alisar a ruga de preocupação entre as sobrancelhas dele. Mas, no último segundo, recuou. Em seguida, tentou puxar devagar a mão que ele segurava.

Por mais sutis que fossem seus movimentos, foram o suficiente para despertá-lo.

Afonso abriu os olhos. Por ter ficado na mesma posição por tanto tempo, suas costas e cintura doíam. Ele franziu a testa ao se mover, e quando falou, sua voz era baixa e levemente rouca, carregando um magnetismo indescritível.

— Por que acordou? Teve outro pesadelo?

Naiara abriu a boca para responder, mas a garganta ardeu.

Afonso pegou a garrafa térmica que havia deixado preparada na mesa de cabeceira.

— Água com mel. Não está muito doce, vai ajudar a aliviar a garganta.

Naiara sentou-se devagar e deu dois goles. O alívio foi quase imediato. O sabor era suave, o dulçor na medida exata.

— Obrigada — ela disse, a voz fria e contida, como era do seu feitio.

Afonso ajeitou as cobertas ao redor dos ombros dela.

— Volte a dormir um pouco. Ainda é cedo.

Afonso parou por um instante, a expressão endurecendo levemente.

— Por que está dizendo isso de repente? Eu fiz algo de errado que te deixou desconfortável?

O coração de Naiara doeu.

Essa era sempre a atitude de Afonso em relação a ela. Ele sempre seria o primeiro a refletir, a questionar se havia errado em algo. Aquilo lhe causava um desconforto sufocante.

As lágrimas que ela vinha segurando ameaçaram cair.

— Não. É que eu tenho medo... de acabar te arrastando para o fundo comigo.

— Me arrastando para o quê?

— Veja bem... — Naiara respirou fundo, tentando conter a dor aguda que irradiava de cada poro do seu corpo. — Meu pai adotivo partiu por minha causa... Minha mãe biológica também se foi, por minha causa... Todos que ficam perto de mim sofrem. A Karina sempre dizia que eu era amaldiçoada...

Um dedo longo e quente pressionou levemente seus lábios, interrompendo a torrente de palavras.

— Shh. Escute o que eu vou te dizer.

A voz dele soou suave e aveludada, ressoando em seus ouvidos com uma clareza absoluta.

— Não existe isso de ser amaldiçoada. Você é uma mulher culta, com um intelecto afiado e lúcido. Não deveria dar ouvidos ao absurdo de pessoas ignorantes.

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