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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 293

— Olhe para mim, Naiara.

Afonso ergueu delicadamente o queixo dela, forçando-a a encará-lo.

— A partida dos seus pais não foi causada por você. Você não deve assumir essa culpa.

O olhar dele era intenso, carregado de uma autoridade gentil.

— Se você se fechar em uma espiral de culpa, estará cometendo a maior injustiça contra eles. O que eles mais queriam não era, afinal, que você vivesse em paz e conforto?

— Naiara, seja racional. Não se tranque em uma prisão construída por você mesma.

Naiara olhou para aqueles olhos profundos como um oceano de estrelas. Ela não sabia se havia sido a força das palavras dele ou a forma suave como pronunciou o seu nome, mas, inexplicavelmente, ela assentiu.

— Está bem.

O coração de Afonso, que estava apertado, finalmente relaxou.

— Deite-se. Durma mais um pouco. Eu ficarei aqui com você.

Naiara encolheu as pernas, abraçando os joelhos e escondendo o rosto.

— Eu queria ficar um pouco sozinha.

— Certo. Estarei no quarto ao lado. Se precisar de algo, é só me chamar.

Afonso levantou-se e caminhou em direção à porta.

Quando ele estava prestes a sair, Naiara ergueu a cabeça abruptamente, a voz saindo apressada e quase falha.

— Afonso!

Ele estancou no mesmo lugar e virou-se.

— Estou aqui.

Naiara apertou os lábios, hesitando. Queria dizer algo, mas as palavras pareciam presas na garganta.

— Eu... não é nada...

Ela queria dizer que, de repente, não queria mais ficar sozinha. Que a casa imensa e vazia a assustava. Mas engoliu o pedido.

Deixe para lá. No fim, ela teria que aprender a estar sozinha de qualquer forma.

Afonso deu meia-volta, retornou e sentou-se na beirada da cama.

— Você quer que eu...

Ele parou a frase no meio. Talvez precisasse formular a pergunta de outra maneira, para não assustá-la.

— Eu... posso te abraçar?

Ela fez uma pausa, acariciando as costas da governanta.

— Felícia... não fique triste, e não se culpe. E, por favor, tire essa ideia de ir embora da cabeça. Sem você, eu me sentirei muito sozinha...

As lágrimas de Felícia rolaram instantaneamente.

— Hoje bem cedo... o Senhor Afonso me procurou. Ele conversou muito comigo. Foi graças a ele que eu consegui pensar com clareza.

Felícia sentia até um peso ao pronunciar o nome "Afonso" agora. Antes, ela havia ficado com a menina para retribuir um favor. De agora em diante, ficar seria uma forma de redenção.

Naiara piscou, surpresa.

— Ele foi falar com você?

— Sim, devia ser umas quatro e pouco da manhã. Eu não conseguia dormir, então levantei para fazer o mingau da senhora. Ele viu que a senhora tinha pegado no sono, saiu de fininho e ficou conversando comigo para me acalmar.

Felícia suspirou, um sorriso triste se formando nos lábios.

— Menina, o Senhor Afonso é um homem extraordinário. Eu nunca vi um CEO tão importante perder seu tempo para confortar uma simples empregada com tanta paciência e educação. Mas eu sei que ele só fez isso por você. Ele tinha medo de que a senhora ficasse ainda mais triste, medo de que eu fosse um peso a mais na sua dor.

Sim.

Ele era, de fato, um homem tão excelente que as pessoas só podiam admirá-lo de longe.

Mas ela só podia fazer isso: admirar. Não podia alimentar falsas esperanças. Por melhor que ele fosse, não pertencia a ela.

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