— Senhorita Vitória, vamos embora rápido. Se ficarmos muito tempo aqui, nossa farsa pode ser descoberta.
Ao ouvir isso, Vitória abriu a boca para dizer algo, mas foi contida pelo advogado.
— Senhor, por favor, meça suas palavras — advertiu o advogado, lançando um olhar duro. — Agindo assim, sinto que está tentando ameaçar a Senhorita Vitória.
Fábio colocou as mãos nos bolsos e mediu o advogado de cima a baixo.
— Olha só, você está achando que pode me ameaçar? Cara, não é qualquer um que tem peito para me desafiar. Você parece ter a cabeça bem dura.
Sabendo que não valia a pena arrumar confusão com alguém daquele tipo, o advogado preferiu não se prolongar.
— Com licença.
Isadora deu um passo à frente, observando-os partir.
— Naiara, você realmente acha que essa história é tão simples assim?
Naiara sentiu um calafrio percorrer todo o seu corpo, sua voz soando distante.
— Minha intuição diz que...
Fábio ponderou por um instante, o cenho franzido.
— O jeito que a Vitória nos olhou agora pouco... parecia o olhar de alguém com a consciência pesada, tentando desesperadamente manter a calma. Deve ter um podre muito grande nessa história.
— Será que era ela quem estava dirigindo? — questionou Isadora. — E aquele idiota só assumiu a culpa no lugar dela para encobrir tudo?
— É bem provável — concordou Fábio.
— Mas não temos provas. Não podemos nos basear apenas em suposições.
Por um momento, o clima ficou tenso e silencioso. Foi então que o homem que se mantivera calado até ali, finalmente abriu a boca, sua voz soando controlada e imponente.
— Eu darei um jeito de descobrir.
Quando Naiara finalmente voltou para casa, encontrou as malas de Felícia já feitas na sala.
Assim que viu Naiara, a velha governanta caiu de joelhos, aos prantos.
Naiara soltou um suspiro contido. Com movimentos precisos e elegantes, ajoelhou-se em uma perna só para ficar na altura dela.
Felícia entrou em pânico.
— Menina! Menina! Acorde...
— Ela está exausta — disse Afonso, a voz rouca, porém firme. — Deixe-a dormir um pouco.
Sem dizer mais nada, ele pegou Naiara nos braços e a carregou em direção ao quarto. No meio do caminho, Afonso parou os passos.
— Felícia, talvez isso seja apenas a vontade do destino. E contra o destino, nenhum de nós pode mudar o desfecho das coisas. Então, não se martirize tanto. Se houve algum erro, talvez todos nós tenhamos sido negligentes. Por que a culpa seria apenas sua?
Ele a olhou por cima do ombro, a postura inabalável.
— A partir de hoje, não toque mais nesse assunto de quem está certo ou errado. Fique e cuide bem dela. Para ela, você já é parte da família. Se você for embora, ela ficará verdadeiramente sozinha neste mundo.
A cama de casal era macia e confortável, em um quarto que parecia saído de um sonho.
Aquele era o mundo de conto de fadas que Thiago havia construído meticulosamente para a filha que tanto amava. Não importava a idade de Naiara; no coração dele, ela sempre seria aquela garotinha alegre, inocente e adorável.
Mas o falecido Thiago jamais imaginaria que, logo na primeira noite em que sua filha se mudasse para o refúgio seguro que ele havia deixado, ela seria obrigada a passar por uma dor tão dilacerante novamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...