Carlos havia reservado uma mesa num restaurante francês.
A decoração elegante, a iluminação suave e a prataria refinada criavam uma atmosfera de puro romance europeu.
Era o lugar perfeito para um encontro de casais.
Para ser honesta, Naiara não era muito fã de comida ocidental requintada.
Ela preferia pratos mais tradicionais e caseiros. Um prato do macarrão caseiro feito por Felícia, com dois ovos fritos por cima, já seria delicioso.
E pensar no macarrão de Felícia a fez lembrar de Afonso.
Naiara recordou-se de ter comentado com ele certa vez que Felícia não apenas fazia o melhor macarrão, como também preparava pequenos petiscos maravilhosos.
Afonso havia respondido: "Preciso experimentar qualquer dia desses."
Naiara então disse: "Claro, venha quando tiver tempo."
Mas, até hoje, Afonso nunca havia ficado para uma refeição em sua casa.
Toda vez ele chegava com pressa e saía com mais pressa ainda.
E sempre por conta dos problemas dela.
— No que está pensando? — perguntou Carlos, puxando a cadeira para ela com cavalheirismo.
Naiara despertou de seus pensamentos.
— Em nada.
Carlos entregou-lhe o cardápio.
— Dê uma olhada no que quer comer.
— Por mim, tanto faz — respondeu ela casualmente. — Peça o que você gosta.
Era o hábito deles. O que comer sempre dependeu do humor de Carlos.
Ele deu um sorriso leve.
— Hoje, você é quem manda.
Os lábios de Naiara se contraíram em uma linha fina.
— Confesso que não estou acostumada com você agindo assim.
O olhar de Carlos continuava gentil.
— Vai querer vinho tinto?
— Não, obrigada. Só água está bom.
— O vinho da casa é muito bom, tem um paladar excelente.
— Sério, não precisa. Não gosto de beber.
Carlos pareceu puxar algo da memória.
— Lembro que você já ficou bêbada várias vezes. Achei que gostasse de álcool.
Naiara sorriu amargamente por dentro.
Ficar bêbada era o preço a pagar por ajudá-lo a conquistar clientes. Ela odiava o gosto da bebida.
— Eu parei.
Carlos não forçou.
— O que significa isso?
— Já que vamos nos separar, pensei em te dar um presente para guardar de recordação.
Ela teve vontade de rir, mas a garganta travou com uma pontada inexplicável de tristeza.
Naiara soltou um suspiro suave.
— Flores, um jantar romântico, presentes... Todas essas coisas foram o que eu esperei por inúmeras vezes durante os três anos em que estivemos juntos.
— Mas, infelizmente... chegaram tarde demais.
O olhar de Carlos tornou-se intenso e ardente.
— Se você quiser...
— Eu não quero — cortou Naiara de imediato.
Carlos franziu o cenho de leve.
— Eu ainda não terminei de falar.
— Não me importa o que você vá dizer, eu não quero.
Demonstrações de afeto tardias não valem de nada.
Aquele sentimento de que só ele importava havia se desintegrado nas cinzas de todas as vezes em que sua dignidade fora pisoteada.
— Já está comprado...
Foi a primeira vez que Naiara viu um olhar de súplica nos olhos de Carlos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...