Ela sabia exatamente o que ele estava fazendo: adotando uma postura humilde para amolecer seu coração e conseguir o que queria.
Não!
Absolutamente não.
— Não quero, obrigada.
Carlos assumiu um tom amuado.
— Se não gosta, venda. Pelo menos você consegue algum dinheiro.
Em vez de se irritar, Naiara riu.
— Então por que não transfere o dinheiro direto para a minha conta?
Ele guardou a caixinha, com um meio sorriso no rosto.
— Claro. Quanto você quer?
Naiara piscou, surpresa.
— Pode ficar tranquila, vou transferir da minha conta pessoal, minha avó e as outras não vão descobrir. Só não vá pedir um absurdo.
Naiara realmente não sabia mais o que dizer.
O cérebro de Carlos só podia estar em curto-circuito naquele dia.
O garçom trouxe a última sobremesa.
Um jantar que, de um jeito ou de outro, estava finalmente acabando.
Carlos levantou-se para ir ao banheiro.
Mas deixou o celular sobre a mesa.
Quando o aparelho começou a tocar, ele ainda não havia retornado.
Naiara lançou um olhar para a tela.
Zuleica.
A amante de Carlos.
Curiosamente, Naiara não sentia nenhuma antipatia por ela.
Pelo contrário, sentia gratidão.
Afinal, aquela mulher a havia ajudado duas vezes.
Desta última, quando foi dopada, se não fosse por Zuleica, as consequências teriam sido desastrosas.
Na terceira vez que o telefone tocou, Carlos voltou.
Ele olhou para a tela e desligou a chamada com a maior naturalidade do mundo.
O telefone não tocou mais.
Mas Naiara imaginava que Zuleica deveria ter um assunto urgente com ele.
Porque a amante não parecia ser o tipo de mulher inconveniente.
Uma amante inteligente e que vive nas sombras não liga para um homem casado sem motivo, pois sabe que isso pode incendiar o casamento dele e causar problemas.
Como Naiara a classificava como inteligente, decidiu provocar Carlos de propósito.
— Talvez seja algo urgente. Não vai retornar?
Carlos fingiu que nada estava acontecendo.
— É só uma ligação de um fornecedor. Resolvo isso amanhã.
De qualquer forma, aquilo já não era mais problema dela. Quem deveria se entristecer com aquela mentira era a tal amante.
Naiara sugeriu que voltaria sozinha.
Não queria atrapalhar o Sr. Carlos de retornar a ligação da amada.
Porém, Carlos insistiu firmemente em levá-la.
Sem saída, ela entrou no carro dele mais uma vez.
O caminho todo foi silencioso.
Naiara olhou para ele umas duas vezes.
Ele mantinha os lábios apertados, parecendo mergulhado em pensamentos sérios e pesados.
Finalmente, o carro parou em frente ao Residencial Pátio do Luar.
Carlos saiu do veículo e deu a volta até a porta do passageiro.
Naiara achou que era apenas mais uma de suas tentativas forçadas de bancar o cavalheiro para abrir a porta, então não pensou muito a respeito.
Mas, para sua surpresa...
Assim que abriu a porta, Carlos se inclinou e entrou de repente no espaço dela, encurralando-a contra o assento.
Seus olhos transbordavam de uma paixão profunda.
— Naiara.
Ela manteve a calma, encarando-o de volta.
— O que você pensa que está fazendo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...