— Eu não deveria ter me casado com um homem que nunca teve espaço para mim no coração. E você não deveria ter aceitado se casar comigo por conveniência. Se não tivéssemos entrado nesse casamento anos atrás, nada do que está acontecendo hoje teria ocorrido.
Ao observar aquele rosto lindo e delicado, Carlos foi tomado por uma onda de melancolia.
Ele, subitamente, não queria perdê-la.
Mas, àquela altura, já não tinha escolha.
— Carlos, deixe como está — continuou ela. — Você não está triste de verdade porque estou indo embora. Você só não está acostumado com a minha ausência. Dê a si mesmo alguns dias e você se acostuma.
Os dedos de Carlos tamborilaram no volante, traçando círculos de forma inconsciente.
Naiara sabia perfeitamente o que ele estava fazendo: pesando os prós e os contras.
Entre o casamento e a realidade fria dos negócios, ele sempre escolheria a segunda opção.
Depois de muito tempo, ele virou o rosto e disse, em um tom contido:
— Tudo bem. Então terminamos de forma amigável.
Naiara deu um sorriso leve.
— Ótimo.
Com um peso enorme tirado das costas, ela fez menção de abrir a porta do carro.
Carlos de repente agarrou seu pulso.
— Vamos jantar juntos amanhã à noite.
Naiara, é claro, não estava com a menor vontade.
— Não precisa.
O aperto dele se intensificou.
— Estivemos juntos por três anos, e eu nunca te levei para um jantar de verdade. Antes de assinarmos o divórcio, vamos pelo menos ter uma refeição decente juntos.
Seu tom soava genuinamente sincero.
— Considere como um jantar de despedida. Se vamos terminar de forma amigável, não custa nada comer comigo uma última vez, não acha?
Naiara hesitou por um momento.
— Tudo bem.
Consideraria aquilo como um último ato de caridade. Depois disso, cada um iria para o seu lado.
Carlos a soltou.
— Eu venho te buscar amanhã.
— Uhum.
Naiara saiu do carro.
Sem perceber o motivo exato, seus olhos se voltaram para a Torre Três.
— Fique tranquila, senhorita. Não vou sair de perto da senhora Miriam nem por um segundo. Fiz até uma canja de pombo maravilhosa para o jantar, já vou levar para ela tomar.
— Obrigada, Felícia — disse Naiara, com o coração aquecido.
Com Felícia ali, ela realmente se sentia muito mais leve.
O combinado com Carlos era às cinco da tarde.
Quando Naiara entrou no carro dele, já passava das cinco e quinze.
Surpreendentemente, ele não a apressou nem demonstrou irritação. Em vez disso, entregou-lhe um buquê.
— Você gosta de girassóis, não é? Comprei especialmente para você.
Naiara pegou as flores e deu um sorriso fino.
— Não parece ser um sorriso de felicidade — observou ele. — Não gostou?
— Eu adorei as flores. Mas, considerando quem as está entregando, não gosto tanto assim.
No passado, ela esperou inúmeras vezes que Carlos lhe trouxesse flores em alguma data especial, que a levasse para um jantar romântico.
Nunca aconteceu.
Agora que estavam prestes a se separar, o sonho se tornava realidade.
A pena era que ela havia parado de sonhar com aquilo há muito tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...