— Como você está grávida, não podemos te dar remédios fortes — continuou Isadora. — Tivemos que baixar a febre com compressas frias.
Fábio soltou outro suspiro.
— Quanto ao seu pai... sua mãe já levou as cinzas para o cemitério.
O coração de Naiara acelerou.
— Eu quero ir ver o meu pai.
Fábio a segurou pelos ombros.
— Pelo amor de Deus, fica quieta um minuto. Não vai pensar no bebê que você carrega?
Naiara finalmente se aquietou.
Era verdade. Ela tinha uma criança no ventre.
Fábio a fitou, cheio de pena.
— Olha para o seu estado. Toda machucada, desnutrida, correndo de um lado para o outro e, agora, ardendo em febre. Não sei como essa criança vai aguentar tudo isso.
Isadora deu um tapa no braço dele.
— Vira essa boca para lá! O meu afilhado é muito forte.
— Pode ser forte o quanto for, ninguém aguenta tanta provação! — resmungou Fábio.
— E desde quando ele é seu afilhado?
— Porque no futuro a Naiara vai casar comigo! Se não for meu afilhado, vai ser de quem?
Isadora revirou os olhos.
— Iludido.
Fábio lançou um olhar instintivo a Afonso, mas suas palavras foram direcionadas a Naiara:
— Os papéis do divórcio já foram assinados. Não volte mais para a casa daquela família. Fique aqui no Pátio do Luar. A Isadora se muda para cá e vocês duas tomam conta uma da outra.
Ao ouvir a proposta, Isadora bateu palmas.
— Olha, por incrível que pareça, foi uma ótima ideia. Eu me mudo amanhã mesmo.
Naiara massageou as têmporas latejantes.
— Não precisa. Por enquanto, eu só quero ficar um pouco sozinha e em paz.
Fábio e Isadora trocaram olhares preocupados.
Naiara soltou um suspiro pesado.
— Eu sei com o que vocês estão se preocupando. Fiquem tranquilos, eu vou tentar me recuperar emocionalmente.
Naiara olhou para Afonso.
— O Afonso tem razão. Meu pai não me deixou, apenas mudou a forma de estar ao meu lado. Um dia, nós vamos nos reencontrar.
Fábio estalou a língua.
— Pois é. Tudo que eu falei entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Mas as palavras do Afonso você guardou direitinho no coração. Que favoritismo descarado.
Naiara realmente não estava com clima para brincadeiras.
Percebendo a exaustão dela, ninguém quis incomodar mais.
Felícia ficou observando as costas dele, perdida em pensamentos.
*Que homem maravilhoso. Se o marido da menina fosse o Sr. Afonso, em vez daquele Carlos, tudo seria tão diferente.*
Fábio e Isadora não tinham ido longe; esperavam por Afonso do lado de fora.
Com um tom irônico, Fábio puxou assunto:
— Foi exatamente como a gente esperava.
Isadora não perdeu a chance de destilar veneno.
— O universo cobra. Isso é o karma do Carlos.
Fábio perguntou a Afonso:
— Vamos vazar a informação?
Afonso olhou para trás, para a porta fechada, a tensão entre as sobrancelhas ainda evidente.
— Por enquanto não.
Intrigado, Fábio questionou:
— Por que não?
— Pelo que fiquei sabendo, daqui a alguns dias a família Lucca fará um banquete pomposo para comemorar o nascimento do herdeiro. E, nessa ocasião...
Os olhos do homem assumiram um tom sombrio, quase perigoso.
— Quando o momento chegar, usaremos isso como o nosso grande presente para o Carlos e para a distinta família Lucca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...