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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 194

Naiara endireitou o corpo e piscou.

Parecia que não havia mais lágrimas para chorar; sentia apenas os olhos arderem profundamente.

Não era alucinação. Era realmente ele.

— Afonso?

Afonso ergueu a mão e, com o polegar, enxugou delicadamente o rastro de lágrima no canto do olho dela.

— Sinto muito.

Naiara não entendeu.

Por que ele estava se desculpando?

Nada daquilo tinha a ver com ele. Muito pelo contrário, Afonso tinha sido a sua salvação.

— Afonso...

Naiara começou a tremer, perdendo o que restava de seu autocontrole.

— Eu não tenho mais pai...

Afonso a envolveu cuidadosamente em um abraço, acariciando suas costas com lentidão.

— Seu pai não te deixou. Ele apenas mudou a forma de continuar te acompanhando.

Naiara sentiu uma enorme sensação de segurança ao ouvi-lo.

— É verdade?

A voz de Afonso era suave e grave.

— A vida e a morte são apenas estados de ser. Como os dois lados de uma folha de papel. Ambos existem, só não podem se ver. Mas não fique tão triste. O verso da sua folha é o seu pai.

— Vocês estarão conectados para sempre. Daqui a algumas décadas, quando essa folha se dobrar, você e ele vão se encontrar novamente.

Isadora aproximou-se, afagou o cabelo de Naiara e disse com a voz embargada:

— Meus pêsames, Naiara.

Fábio também estava arrasado, sem qualquer vestígio de sua costumeira descontração.

— Naiara, vai ficar tudo bem. Seu pai se foi, mas você ainda tem a nós. Não vamos deixar ninguém da família Lucca te humilhar nunca mais.

Naiara afastou-se do abraço de Afonso, respirou fundo e tentou estabilizar suas emoções.

— Minha cabeça estava uma confusão. Agi por impulso e acabei envolvendo vocês nesse escândalo.

Isadora lhe deu um aperto carinhoso.

— Que bobagem é essa de nos envolver? Eu já não suportava a cara daquela sonsa há muito tempo. Estava louca por uma desculpa para dar uma lição nela.

— Eu também estava doido para arrebentar o Carlos. Já o aturava há tempo demais — concordou Fábio.

Naiara sentiu uma profunda gratidão.

— Obrigada.

A morte repentina de Thiago fez Naiara compreender a dura realidade da alta sociedade: na riqueza, os amigos sobram; na ruína, todos desaparecem.

Bem quando o desespero tomava conta, alguém sussurrou em seu ouvido:

— Não tenha medo, é só um pesadelo.

Naiara abriu os olhos subitamente.

Ao observar o ambiente familiar, percebeu que havia sido trazida de volta ao Pátio do Luar.

Isadora estava debruçada na beirada da cama, observando-a com tensão.

Fábio sentava-se ao lado, checando a respiração de Naiara sob o nariz a cada cinco minutos, como se temesse que ela estivesse morta.

Afonso estava sentado no sofá, com o rosto sombrio e solene.

Ao ver Naiara abrir os olhos, Fábio tentou abrir um sorriso aliviado, mas não conseguiu.

— Minha nossa senhora, finalmente você acordou. Se demorasse mais, teríamos que te levar para a emergência.

Com a ajuda de Isadora, Naiara recostou-se nos travesseiros.

Ao tentar falar, sentiu a garganta arranhar e as bochechas queimarem.

— Como eu vim parar aqui? E o meu pai?

Isadora suspirou.

— Você apagou. O Sr. Afonso imaginou que você odiaria acordar num hospital, então chamou um médico particular aqui.

— O doutor disse que foi exaustão emocional misturada com desnutrição. Por isso você está com um pouco de febre.

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