Naiara endireitou o corpo e piscou.
Parecia que não havia mais lágrimas para chorar; sentia apenas os olhos arderem profundamente.
Não era alucinação. Era realmente ele.
— Afonso?
Afonso ergueu a mão e, com o polegar, enxugou delicadamente o rastro de lágrima no canto do olho dela.
— Sinto muito.
Naiara não entendeu.
Por que ele estava se desculpando?
Nada daquilo tinha a ver com ele. Muito pelo contrário, Afonso tinha sido a sua salvação.
— Afonso...
Naiara começou a tremer, perdendo o que restava de seu autocontrole.
— Eu não tenho mais pai...
Afonso a envolveu cuidadosamente em um abraço, acariciando suas costas com lentidão.
— Seu pai não te deixou. Ele apenas mudou a forma de continuar te acompanhando.
Naiara sentiu uma enorme sensação de segurança ao ouvi-lo.
— É verdade?
A voz de Afonso era suave e grave.
— A vida e a morte são apenas estados de ser. Como os dois lados de uma folha de papel. Ambos existem, só não podem se ver. Mas não fique tão triste. O verso da sua folha é o seu pai.
— Vocês estarão conectados para sempre. Daqui a algumas décadas, quando essa folha se dobrar, você e ele vão se encontrar novamente.
Isadora aproximou-se, afagou o cabelo de Naiara e disse com a voz embargada:
— Meus pêsames, Naiara.
Fábio também estava arrasado, sem qualquer vestígio de sua costumeira descontração.
— Naiara, vai ficar tudo bem. Seu pai se foi, mas você ainda tem a nós. Não vamos deixar ninguém da família Lucca te humilhar nunca mais.
Naiara afastou-se do abraço de Afonso, respirou fundo e tentou estabilizar suas emoções.
— Minha cabeça estava uma confusão. Agi por impulso e acabei envolvendo vocês nesse escândalo.
Isadora lhe deu um aperto carinhoso.
— Que bobagem é essa de nos envolver? Eu já não suportava a cara daquela sonsa há muito tempo. Estava louca por uma desculpa para dar uma lição nela.
— Eu também estava doido para arrebentar o Carlos. Já o aturava há tempo demais — concordou Fábio.
Naiara sentiu uma profunda gratidão.
— Obrigada.
A morte repentina de Thiago fez Naiara compreender a dura realidade da alta sociedade: na riqueza, os amigos sobram; na ruína, todos desaparecem.
Bem quando o desespero tomava conta, alguém sussurrou em seu ouvido:
— Não tenha medo, é só um pesadelo.
Naiara abriu os olhos subitamente.
Ao observar o ambiente familiar, percebeu que havia sido trazida de volta ao Pátio do Luar.
Isadora estava debruçada na beirada da cama, observando-a com tensão.
Fábio sentava-se ao lado, checando a respiração de Naiara sob o nariz a cada cinco minutos, como se temesse que ela estivesse morta.
Afonso estava sentado no sofá, com o rosto sombrio e solene.
Ao ver Naiara abrir os olhos, Fábio tentou abrir um sorriso aliviado, mas não conseguiu.
— Minha nossa senhora, finalmente você acordou. Se demorasse mais, teríamos que te levar para a emergência.
Com a ajuda de Isadora, Naiara recostou-se nos travesseiros.
Ao tentar falar, sentiu a garganta arranhar e as bochechas queimarem.
— Como eu vim parar aqui? E o meu pai?
Isadora suspirou.
— Você apagou. O Sr. Afonso imaginou que você odiaria acordar num hospital, então chamou um médico particular aqui.
— O doutor disse que foi exaustão emocional misturada com desnutrição. Por isso você está com um pouco de febre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...