Naiara estava prestes a abrir a boca quando, de repente, sentiu um calor reconfortante nas costas de sua mão.
A mão de Afonso pousou levemente sobre a dela, e ele deu um sutil aceno de cabeça.
Aquela aura de imensa segurança que ele emanava de dentro para fora fez com que o coração de Naiara se acalmasse lentamente.
Os dedos de Afonso digitaram algo rapidamente na tela do celular e, em seguida, ele deslizou o aparelho para dentro da fresta do banco.
O carro parou debaixo de uma ponte.
O local estava deserto, varrido por rajadas de vento gélido.
Assim que o motor foi desligado, cerca de sete ou oito homens cercaram o veículo.
Pela aparência da situação, o objetivo da noite era garantir que os dois não saíssem dali andando.
A mão de Naiara repousou instintivamente sobre o ventre. No fundo, ela estava tensa.
Não que tivesse medo da morte.
Seu maior temor era que algo acontecesse com a criança em sua barriga.
Embora aquele pequeno ser estivesse dentro dela há pouco tempo, a conexão entre mãe e filho já havia se formado, e Naiara já era completamente incapaz de abrir mão dele.
Ela até já havia pensado nos nomes.
Se fosse menino, se chamaria Romário.
Se fosse menina, Ivone.
O motorista abriu um sorriso sádico de quem havia cumprido sua missão.
— Desçam os dois.
Afonso não demonstrou o menor traço de medo. Sua calma inabalável chegou a surpreender o motorista.
— Que azar o seu, cara. A encomenda era só a mulher, mas já que você estava no lugar errado e na hora errada, vai junto.
Os olhos escuros de Afonso se estreitaram.
— Foi a família Lucca ou a família Fontana?
O motorista hesitou por um segundo.
— Que porra de família Lucca ou família Fontana! Sem papo furado! Passem os celulares!
Afonso lançou um olhar para Naiara.
Obediente, ela entregou seu aparelho.
Afonso, por sua vez, explicou com naturalidade:
— Acho que deixei o meu cair na hora em que entrei no carro. Se não acredita, pode revistar.
O motorista estava com pressa para terminar o serviço e não quis perder tempo.
— Desce logo!
Dito isso, o próprio motorista saiu do carro.
— Deixe ela sentada aí. Está frio lá fora — disse Afonso, num tom gélido.
— Mas que porr...
As palavras do motorista nunca chegaram a ser concluídas.
O punho de Afonso voou direto no rosto dele.
A porta foi fechada com força. O interior do carro ainda estava quente.
Mas, do lado de fora, a cena era um mar de lâminas e violência.
Naiara jamais poderia imaginar que Afonso possuísse tamanha habilidade de combate.
Mesmo contra sete ou oito homens, nenhum deles conseguiu sequer arranhá-lo.
Pelo contrário, eram eles que caíam, cobertos de ferimentos.
Os golpes de Afonso eram rápidos e implacáveis, quase sempre mirando pontos vitais. Se ele não estivesse se contendo, provavelmente já os teria matado.
Quem diria que um homem sempre tão polido e elegante se transformaria, naquele instante, em um lutador tão letal?
O coração apertado de Naiara começou a relaxar aos poucos.
Até que ela notou uma figura furtiva se aproximando sorrateiramente pelas costas de Afonso. A faca na mão do bandido brilhava de forma assustadora sob a luz do luar.
Sem pensar duas vezes, Naiara abriu a porta e avançou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...