Carlos ficou em silêncio por alguns instantes.
— Aquele Fábio...
— Ele é um excelente colega de profissão e um bom amigo — cortou Naiara.
Quanto ao resto, que Carlos imaginasse o que quisesse.
Quanto mais explicasse, pior ficaria.
Até porque, depois das coisas que Fábio havia dito hoje, não era de se espantar que Carlos tivesse interpretado mal.
— Pelo visto, parece que ele gosta bastante de você.
Naiara respondeu com um tom indiferente:
— Ele é apenas meu colega sênior e um amigo. Eu não tenho o hábito de cometer adultério.
As sobrancelhas de Carlos se juntaram. Ele se conteve para não explodir.
— Daqui em diante, não fique tão próxima dele.
Naiara nem se deu ao trabalho de responder.
A velha hipocrisia de sempre. Ele podia fazer tudo, mas ela não podia nada.
— Bom, estou indo — disse Carlos.
— Meu pai...
Naiara quebrou o silêncio de repente.
Carlos virou-se.
— O que tem ele?
Naiara forçou um sorriso frio.
— Meu pai vai acordar, não vai?
Carlos pareceu surpreso com a pergunta.
— Claro que vai. Os especialistas que eu contratei chegam em alguns dias.
— Não precisa mais. Eu já encontrei um ótimo especialista.
— Tudo bem, tanto faz. A medicina está tão avançada hoje em dia, com certeza vão dar um jeito nele.
Ele soou completamente apático.
Naiara observou as costas dele enquanto ele se afastava, e sorriu com amargura.
Felícia só saiu do esconderijo quando Carlos já estava longe.
— Menina, você está bem?
Naiara deitou-se no sofá, com o braço sob a cabeça, deixando escapar um brilho de tristeza no olhar.
— Estou bem. Só estou muito cansada.
Felícia agachou-se ao lado dela e, usando a mão boa, acariciou gentilmente a cabeça de Naiara.
— Eu sei como é dura a vida de quem não tem ninguém por si e precisa lutar sozinha pela sobrevivência.
— Mas não se preocupe, menina, tudo vai melhorar. Olha só, agora você tem a mim para cuidar de você, e tem amigos maravilhosos como o senhor Fábio e a senhorita Isadora se preocupando com o seu bem-estar.
— Ah, claro! E tem aquele senhor Afonso também, que tem sido excelente com você.
— Então não tenha medo, nós estamos aqui. A Felícia pode estar velha, mas vai proteger a senhora com unhas e dentes.
Os olhos de Naiara arderam, e ela quase chorou.
Aquela sensação de acolhimento era tão reconfortante.
Naiara soltou uma risada fraca.
Ficava nítido que Afonso não era o tipo de homem que sabia falar palavras doces.
Às vezes, era metódico e severo como um professor antiquado.
Naiara:
[Serei eternamente grata pela ajuda incomensurável que você está dando no caso do meu pai. Quanto aos problemas com a família Lucca, eu resolverei sozinha.]
Depois de enviar, pensou mais um pouco e mandou outra mensagem.
[Obrigada, Afonso.]
Afonso não respondeu mais.
Naiara bloqueou a tela do celular.
...
Assim que Carlos pisou na mansão da Baía Esmeralda, a empregada Débora foi logo em sua direção.
— Senhor Carlos, a dona Franciely está esperando no escritório. É melhor o senhor se apressar, senão ela vai perder a paciência de novo.
Carlos fulminou-a com o olhar.
— Desde quando você tem o direito de me dar ordens na minha própria casa?
Comparada a isso, Carlos sentia ainda mais falta dos dias em que Felícia cuidava da família Lucca.
Felícia podia falar demais às vezes, mas era sempre com o carinho genuíno de alguém mais velho zelando pelo bem dele.
Já com essa parente distante que surgiu do nada, quanto mais Carlos convivia, menos gostava.
Se Franciely não a tivesse nomeado pessoalmente, ele já teria colocado Débora na rua há muito tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...