Franciely estava sentada no escritório, com a postura rígida e autoritária de sempre.
— Por que demorou tanto?
Carlos engoliu a irritação.
— Peguei trânsito no caminho.
Franciely ergueu uma sobrancelha.
— Aposto que foi ver aquela mulher, não foi?
Só agora Carlos percebia um detalhe incômodo.
Todos da família Lucca referiam-se à sua esposa apenas como "aquela mulher".
— Achei que ela não teria para onde ir, mas acabou conseguindo se instalar naquele apartamento. Foi muita sorte para ela — desdenhou Franciely.
— Vó. — Carlos cortou, sem paciência para o veneno diário. — A senhora me chamou aqui para quê?
— Carlos, eu quero saber: eu ainda tenho alguma autoridade nesta casa?
Ele já imaginava onde a conversa ia parar.
— Vá direto ao ponto, vó.
Franciely não rodeou.
— Quero que você se divorcie daquela mulher.
— E me case com a Adriana em seguida?
— Sim.
Carlos puxou uma cadeira com uma calma aparente, sentou-se, acendeu um cigarro e deu duas tragadas antes de responder.
— No passado, eu concordei em ser o doador para que a Adriana gerasse um herdeiro com o sangue da família Lucca. Mas nunca aceitei me casar com ela.
— Mas você sempre foi apaixonado pela Adriana, não foi?
Uma pontada de ressentimento amargo atravessou o peito de Carlos.
— E não foi a senhora que me obrigou a abrir mão da Adriana para entregá-la ao Nilton?
Franciely não esperava essa resposta e hesitou por um segundo.
— Mas eu não estou tentando juntar vocês dois de novo agora?
Carlos soltou uma risada nasalada e fria, permanecendo em silêncio.
Algumas verdades, uma vez ditas em voz alta, quebravam a fachada para sempre.
— Você não tem medo de que ela exponha os escândalos da família Lucca para a imprensa? — insistiu a matriarca.
— Isso depende de como você vai negociar com ela. Eu já pensei nisso. No fundo, tudo o que ela quer é dinheiro. Se o valor for alto o suficiente e ela sair satisfeita, basta fazê-la assinar um acordo de confidencialidade.
Ao mencionar dinheiro, Carlos pegou o celular para verificar a transação.
— Agora que o Nilton morreu, de repente você lembrou que eu existo!
— Se ele não tivesse morrido, tenho certeza de que a senhora continuaria agindo como se eu fosse invisível.
A ferida mais profunda foi exposta. Franciely levantou-se tremendo de ódio, caminhou a passos duros até Carlos e desferiu-lhe um tapa estalado no rosto.
— Seu moleque ingrato! Como ousa falar assim comigo?!
O ardor do tapa trouxe um pouco de lucidez de volta a Carlos.
Mas seu orgulho jamais permitiria um pedido de desculpas.
E ele também não queria pedir perdão!
BAM!
A porta do escritório bateu com um estrondo violento.
Carlos saiu pisando duro.
De volta ao carro, o assistente Ronaldo notou a aura pesada do chefe. Quis perguntar se estava tudo bem, mas não teve coragem de abrir a boca. Pelo retrovisor, viu Carlos encostar a cabeça no banco de trás e fechar os olhos lentamente.
Um silêncio sepulcral dominou o interior do veículo por um longo tempo.
De repente, o homem no banco de trás abriu os olhos.
— A amostra de sangue já foi entregue?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...