Por incrível que pareça, em meio a toda a estupidez, Vitória havia acertado em cheio.
Naiara, fria como o gelo, não tinha a menor intenção de mentir.
Ela manteve a postura impecável e relatou a sequência de eventos com a precisão de um relatório do sistema.
— Eu, de fato, acertei um tapa no rosto dela, e fui eu quem a trancou naquele quarto. Mas sobre tudo o que ocorreu depois, eu não faço a menor ideia.
A expressão duvidosa e o silêncio acusatório de Carlos fizeram o coração de Naiara afundar.
— Se você escolhe não acreditar, é problema seu. Mas estou dizendo a verdade, Carlos...
— Chega! — berrou Carlos, os olhos faiscando de uma raiva autoritária. — Vitória é a garotinha que sempre mimamos, ela é a princesa da família Lucca! Com que direito você ousa levantar a mão contra o meu sangue e jogá-la no frio? O que você está tramando, Naiara?!
Naiara sentiu um nó na garganta diante daquela hipocrisia enojante.
— E não importa para você que a sua irmãzinha tenha me humilhado e me atacado primeiro? — retrucou ela. — Se não fossem as sucessivas provocações dela, eu jamais teria tomado uma atitude!
Carlos rosnou as palavras como um animal raivoso:
— Ela é apenas uma criança! Se ela cometeu um erro, cabia a você me comunicar, e eu teria lhe ensinado as devidas boas maneiras!
Naiara deu uma risada de gelar a espinha.
— Se você realmente a educasse, ela não teria vinte e quatro anos e o intelecto de uma imbecil!
As pupilas de Carlos se contraíram perigosamente.
— De quem você está chamando de imbecil?!
Naiara cravou o olhar nele, recusando-se a abaixar a cabeça.
— Estou falando da sua adorada irmãzinha, Vitória! E de você!
— Toda vez que ocorre um escândalo, você age como um troglodita impulsivo. Ignora os fatos, cega a razão, culpa a mim e protege cegamente o nome da sua família. Você é desprovido do discernimento básico entre o certo e o errado! Se isso não é ser imbecil, eu não sei o que é!
O sangue ferveu e a mão de Carlos ergueu-se no ar, prestes a desferir um golpe.
Naiara não recuou um único milímetro. Apenas manteve a postura impecável e fria.
— Tente me bater. Experimente! — ela ordenou em tom de desafio gélido. — Eu afirmo com todas as letras: se você levantar a mão contra mim hoje, eu, Naiara, juro que serei a sua ruína e destruirei tudo o que você preza até o fim da sua vida!
— E tem mais! — Karina estendeu a mão com ganância. — Onde está o colar milionário que o meu filho arrematou para a caridade hoje?! Devolva agora!
Naiara, internamente, estava com vontade de rir histericamente de toda aquela novela barata.
A própria filha estava desfigurada no leito de hospital, e Karina ainda cobiçava as joias como um urubu faminto.
Felizmente.
Naiara, com sua inteligência e sangue-frio, já havia previsto os movimentos de seus oponentes.
Seu instinto a alertara de que a paz com aquele colar não duraria, então, com discrição, retirou-o do pescoço e confiou ao cofre de segurança máxima do hotel.
Sem cerimônia, Karina avançou e tomou a bolsa Chanel das mãos de Naiara.
Com brutalidade, virou tudo de ponta-cabeça, atirando no chão frio os pertences pessoais.
Karina esbravejou como uma louca:
— Cadê o colar! Onde você escondeu a joia dos Lucca?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...