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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 115

Um sorriso zombeteiro e afiado curvou os lábios de Naiara.

— A senhora não deveria estar preocupada com o estado crítico da sua própria filha de sangue? Pelo visto, a integridade da sua princesa vale menos do que algumas pedras brilhantes... Que tipo de mãe exemplar é você?

Karina trincou os dentes de raiva.

— Pare de jogar as suas charadas sujas e não tente jogar minha filha contra mim! Aquilo foi comprado com o dinheiro do meu filho. Você é indigna e não tem a classe necessária para ostentar algo tão precioso!

— Naiara! Entregue o colar agora!

Naiara tratou os gritos dela como o simples zumbido de um inseto nojento.

Em total desespero materialista, Karina avançou para arrancar a roupa de Naiara.

— Onde enfiou essa joia?!

Com a precisão que lhe era peculiar, Naiara a empurrou para longe:

— Já chega desse show grotesco! Usar violência e agressão física é uma tradição sagrada nesta família Lucca ou apenas uma falha de caráter coletiva?!

Essa única frase provocativa despedaçou os últimos resquícios de paciência da velha Franciely.

— Jorge! — ela chamou com a voz rouca.

Jorge era o mordomo sênior da família Lucca e o motorista de extrema confiança de Franciely. Um lacaio que servia à velha matriarca havia quase duas décadas.

Para a sorte geral, ele não havia se contaminado totalmente com a maldade dos patrões.

Jorge era, em sua essência, um homem estoico e pragmático.

Não tomava partidos nas tramas da família, não se metia em fofocas e executava as suas tarefas de forma silenciosa e impecável.

Mesmo nos dias em que Franciely despejava o seu rancor sobre os criados, ele apenas baixava os olhos, aguentando em absoluto mutismo.

Sua presença era tão apagada que ele quase parecia invisível aos olhos daquela elite.

— Jogue essa traidora asquerosa na masmorra! Tranque-a agora! — ordenou a matriarca.

Pela primeira vez em anos de lealdade cega, Jorge demonstrou um átimo de hesitação.

— O que você está esperando, idiota?! Execute a ordem! — gritou Franciely.

Naiara manteve-se intocável, sem que o medo desfigurasse o seu rosto.

Aproximando-se com passos pesados, Jorge sussurrou num tom respeitoso e grave:

— Minhas sinceras desculpas, Senhora.

O raciocínio frio de Naiara concluiu de forma instantânea: ela não escaparia daquele cerco essa noite. Diante daquela corja raivosa e em superioridade numérica, apenas lhe restava ceder temporariamente e planejar o próximo ataque.

Eles eram muitos, manipulavam os fatos ao bel-prazer e a odiavam até a medula. Nem com asas ela voaria daquela jaula maldita.

Era mais inteligente e menos dispendioso não resistir por agora.

Afinal, precisava proteger a sua maior carta na manga: o frágil feto em seu ventre.

Naiara recuou um passo elegante, esquivando-se da mão de Jorge.

— Jorge, não se atreva a me tocar. Eu sei o caminho.

A família Jasmim, aqueles covardes interesseiros, jamais ousariam confrontar os Lucca por ela.

Lá em cima, Franciely não parava de encarar o rosto desfigurado de Vitória. A cada minuto, a pena se convertia em uma fogueira de rancor.

Aproveitaria a situação e se certificaria de que a insolente Naiara sangrasse lentamente na escuridão do porão.

Até onde iria a audácia daquela mulher?

Karina, contudo, ainda não tirava os olhos da riqueza material perdida.

— Mãe, não podemos nos esquecer do principal: arrancar daquela miserável a confissão de onde a joia foi parar. É um investimento astronômico do patrimônio da família Lucca, e aquela ratazana não tem o direito de roubá-lo para si.

Franciely então virou-se para Carlos, a voz cortante como uma lâmina de gelo.

— Carlos, como você pôde ser tão imbecil a ponto de atirar um tesouro inestimável naquelas patas nojentas?

A irritação no peito de Carlos se expandia e sufocava as suas veias.

Minutos atrás, ao presenciar Naiara caminhando de cabeça erguida e sem olhar para trás rumo à prisão imunda do porão, a solidão estoica e fria em suas costas finas havia puxado um nervo incômodo no peito do empresário.

Ela era a grande vilã. Ela havia ferido sua irmã e manchado o nome da família. Por que diabo a ideia de castigá-la estava corroendo a sua consciência de forma tão covarde?

— Carlos, a sua avó fez uma pergunta. Responda — cobrou Karina, percebendo a desatenção.

O arrogante Carlos Lucca sacudiu a cabeça, voltando para a dura realidade:

— Eu a prometi a joia em troca dos favores políticos. E eu não volto atrás em acordos.

— Tolo — zombou Franciely, destilando seu escárnio de elite. — Você deveria ter atirado uma pulseira qualquer para ela lamber as botas. Que sangue inferior é o dela, e por que seria digna de pertencer a uma grandeza como essa?

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