Thalita segurou o copo de água devagar.
O calor passou pelo vidro até a palma da mão, e o coração dela também se acalmou pouco a pouco.
Era exatamente essa frase que ela queria.
Se não conseguia de Cristiano, conseguiria de Matheus.
Matheus era mais útil que Cristiano.
Cristiano era muito frio e muito egoísta. Ele dava recursos porque queria dar; para retirar, bastava uma palavra.
Mas Matheus era diferente.
Matheus tinha ideais.
Pessoas com ideais se deixam emocionar facilmente. Se ela o convencesse de que agia da forma certa, ele abriria todos os caminhos para ela sem pensar duas vezes.
Thalita entregou-lhe o copo de água, com a voz bem baixa:
— Mas eu não quero deixar você em uma situação difícil.
Matheus pegou o copo, e as pontas dos dedos dele tocaram a mão dela.
Ela não se esquivou.
Também não se demorou.
Um instante na medida certa, mais fácil de ser lembrado do que qualquer flerte.
— Eu não estou em uma situação difícil. — Matheus disse. — Só acho que você não deveria ser sempre oprimida por Graciana.
Os cílios de Thalita tremeram:
— Ela não me oprime. Sou eu quem deve a ela.
— O que você deve a ela?
Thalita não disse nada.
Ela olhou pela janela.
Na noite, a superfície do rio era cortada pelas luzes em vários pedaços, como folhas de ouro estilhaçadas. O perfil do seu rosto refletia no vidro, e uma lágrima finalmente caiu.
— Minha mãe realmente errou com a tia Helena. — Ela disse. — E eu também sei que é natural a Graciana me odiar. Mas quando eu nasci, eu não sabia de nada. Eu só queria ter uma família, queria que meu pai também olhasse para mim, queria provar que eu não era um fardo.
Matheus ficou em silêncio.
Thalita raramente dizia essas coisas para Cristiano.
Cristiano não gostava de ouvir passados muito pesados. Ele só gostava que ela fosse dócil e atenciosa, gostava que ela estivesse ao seu lado como um vento sem fardos.
Mas Matheus era diferente.
Ele escutaria.

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