Cristiano achava que Graciana não demoraria nem trinta minutos para voltar atrás.
Ela sempre foi assim.
Mesmo que estivesse magoada, mesmo que seus olhos ficassem vermelhos, bastava Lucca chamá-la de mãe que ela voltava para o seu lugar.
Esta noite era o aniversário de Lucca, ela não iria embora de verdade.
Então, quando Graciana se virou e saiu, Cristiano apenas franziu a testa e não foi atrás dela.
Thalita estava ao lado dele, com os olhos ainda vermelhos, e disse em voz baixa: — Cristiano, a Graciana ficou brava comigo? Quer que eu vá lá explicar para ela?
Cristiano desviou o olhar e disse num tom indiferente: — Não precisa.
Thalita olhou para ele: — Mas parece que ela ficou realmente chateada.
— O temperamento dela só piorou esses dias.
Ao dizer isso, o próprio Cristiano fez uma pausa.
Graciana não era assim antes.
Ela raramente envergonhava as pessoas em público e raramente dava as costas e ia embora. Na maioria das vezes, ela apenas ficava em silêncio, esperando ele dizer alguma coisa.
Mas, agora pouco, ela não esperou.
Ela sequer tentou se explicar.
Aquilo deixou Cristiano incomodado. Como se algo que sempre estava no seu devido lugar tivesse saído dos eixos de uma hora para outra.
No salão de banquetes, Lucca estava desembrulhando seus presentes.
Ele segurava a base de foguete que Thalita havia dado e seus olhos brilhavam de alegria.
— Pai, olha! Esse aqui consegue até subir!
Cristiano se aproximou e olhou para baixo.
— Hum.
Lucca olhou atrás dele: — E a mamãe?
Thalita rapidamente respondeu com uma voz suave: — Sua mãe deve estar muito cansada, ela foi descansar.
Lucca franziu o nariz: — Ela ficou chateada de novo?
Cristiano não respondeu.
Thalita se agachou e ajeitou a gola da camisa dele: — A mamãe só se importa muito com você, por isso às vezes fica um pouco séria. Não culpe sua mamãe, tá bom?
Lucca apertou a base de foguete e murmurou: — Mas com você não é assim.
Quando essas palavras saíram, a testa de Cristiano se enrugou.
Por instinto, ele achou que aquilo não estava certo.
Mas Thalita rapidamente fez um carinho na cabeça de Lucca e disse baixinho: — Não pode falar assim, sua mamãe vai ficar triste.
Lucca soltou um "ah".
Mas foi apenas isso.
A festa continuou até as dez da noite.
Graciana não voltou.
Cristiano olhou para o celular várias vezes.
Nenhuma ligação.
Nenhuma mensagem.
O rosto dele finalmente escureceu.
Felipe caminhou até ele com uma taça de vinho e acompanhou seu olhar: — O que foi? A sua esposa ainda não voltou?
Cristiano colocou o celular virado para baixo na mesa: — Ela já foi embora.
Felipe levantou uma sobrancelha: — Pela situação de hoje, o fato de ela ter aguentado até agora mostra que o gênio dela é bom.
Cristiano olhou para ele: — O que você quer dizer com isso?
O sorriso de Felipe diminuiu um pouco.
Ele conhecia Cristiano há anos, e eles falavam sem rodeios.
— Você não achou que a Thalita ficou num lugar de muito destaque hoje à noite?
Ela abriu a caixa e conferiu o modelo do planeta.
O botão na base havia sido amassado.
Ela pegou uma chave de fenda pequena, sentou-se no sofá e começou a consertar lentamente.
Quando seus dedos tocaram na lâmpada, ela se lembrou de Lucca quando era pequeno.
Na época, ele nem sabia falar frases completas, apenas abraçava seu pescoço e a chamava de mamãe com uma voz doce.
Ele tinha medo do escuro, e toda noite ela precisava deixar uma luz de presença acesa.
Uma vez, ele apontou para as estrelas fora da janela e perguntou: — Mamãe, aquilo é uma luz?
Ela respondeu: — É uma luz muito, muito distante.
Lucca deitou em seu colo e disse sério: — Então me dá uma luz também, tá bom? Assim eu não choro mais quando tiver medo do escuro.
Por isso, em todos os aniversários, Graciana dava a ele um pequeno presente relacionado às estrelas.
No primeiro ano, foi uma luminária de lua.
No segundo, um projetor de céu estrelado.
No terceiro, um pequeno astronauta costurado por ela mesma.
Ela achou que esse era um segredinho entre ela e o filho.
Acontece que esquecer as coisas quando as crianças crescem era muito mais fácil do que ela imaginava.
Graciana consertou o interruptor e o apertou delicadamente.
O planeta azul-escuro acendeu.
A luz era suave, como uma nebulosa girando em silêncio.
Ela olhou por muito tempo, e depois desligou o botão.
Já que ele não precisava mais, ela o guardaria.
À uma da manhã, o Dr. Ricardo enviou a lista de documentos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Acha Que Basta Chorar Para Me Ter de Volta? Jamais!