Era Matheus Lima.
Os dedos de Thalita pararam na maçaneta e um sorriso voltou ao seu rosto.
A porta se abriu e a brisa noturna entrou. Matheus segurava uma pasta de documentos na mão e usava o paletó no braço; o seu olhar parecia cansado.
— Acordada até uma hora dessas? — ele perguntou.
Thalita deu um passo para o lado: — Você também não foi dormir, não é?
Matheus entrou e viu as duas tigelas na mesa.
Uma que havia sido usada e a outra, não.
O seu olhar parou por um segundo antes de desviar para longe.
Thalita percebeu.
Ela era excelente em ler pormenores no olhar de todos.
— O Cristiano não vai vir esta noite. — Ela explicou de um jeito meigo. — Apenas preparo as refeições desta forma por costume.
Matheus depositou as folhas nas mesinhas de amparo e falou: — Mandei o grupo adequar um dos esquemas nos projetos recuperadores e peço-lhe para supervisioná-los.
Thalita se manteve arredia aos documentos.
Ela foi até a cozinha, jogou fora a sopa de ressaca que havia esfriado e ferveu água de novo. Quando a água ferveu, ela ficou de costas para Matheus, com voz baixa: — Matheus, você também acha que eu sou motivo de piada?
Matheus encarou.
Ela manteve as costas viradas sem olhá-lo. A fragilidade que transmitia com os ombros finos e o suéter branco era só uma máscara para esconder suas reais intenções.
— Como você pode falar uma bobagem dessas?
Thalita deu um sorriso leve: — Sei o que dizem de mim lá fora. Que não sou a Sra. Monteiro, mas tenho o mesmo tratamento que ela. Que a Graciana é a oficial, e que por mais que eu tente, serei só...

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