Mas depois de ceder tudo por anos, ela finalmente percebeu que não tinha mais espaço para si mesma nessa família.
A voz do Dr. Ricardo voltou a soar: — Se a senhora tiver certeza, posso preparar um esboço amanhã de manhã. Em relação à guarda da criança, a senhora sempre foi a cuidadora principal, o que a favorece.-
A criança.
Os cílios de Graciana tremeram levemente.
A voz animada de Lucca veio do salão de banquetes.
— Vou dar o primeiro pedaço do bolo para a Thalita!
Logo em seguida, houve risadas gentis.
Alguém disse: — O Lucca realmente adora a Thalita.
Outro concordou: — A Thalita é muito atenciosa, não me admira que a criança seja apegada a ela.
Ainda teve alguém que brincou: — Quem não conhece a história até acha que a Thalita é a mãe do Lucca.
Graciana ficou parada do lado de fora da porta, ouvindo tudo com clareza.
Ela não empurrou a porta para entrar.
Também não se forçou a sorrir e caminhar para o meio das pessoas fingindo não se importar, como fazia no passado.
Ela apenas ficou parada em silêncio.
Sentia seu coração se esvaziar aos poucos, até ficar apenas entorpecida, sem nenhuma dor real.
O Dr. Ricardo ainda esperava sua resposta.
Graciana falou devagar: — Não vou disputar a guarda por enquanto.
Houve uma surpresa evidente do outro lado: — A senhora tem certeza?
Graciana fechou os olhos.
Claro que ela não queria se separar de Lucca.
Era o filho que ela carregou dez meses no ventre, um bebê cujo nascimento quase lhe custou a própria vida.
Quando Lucca nasceu, era apenas um embrulho bem pequeno, com um choro fraco, e o médico disse que a função pulmonar não era boa e que precisaria ficar na incubadora sob observação. O efeito da anestesia da cesariana mal havia passado, ela estava pálida de dor, mas ainda assim pediu para a enfermeira levá-a para ver a criança.
Através do vidro, ela viu o pequeno Lucca deitado, cheio de tubos.
Ela chorou até perder a voz.
O Dr. Ricardo não tentou convencê-la, apenas disse: — Certo. Então, a senhora pode vir ao escritório amanhã de manhã, às dez?
— Posso.
Depois de desligar o telefone, Graciana ficou muito tempo parada ali.
Até que passos soaram do outro lado do corredor.
— Graciana?
A voz de Thalita soou.
Graciana se virou.
Thalita estava a alguns passos de distância, com o vestido branco tão limpo quanto uma flor inocente, segurando um pequeno pedaço de bolo nas mãos.
— Por que você está aqui fora sozinha? — Ela franziu levemente a testa, com a voz cheia de preocupação. — O Lucca estava perguntando por você de novo agora a pouco.
Graciana olhou para o bolo nas mãos dela.
O chantilly do bolo tinha uma pequena marca de colher, provavelmente do pedaço que Lucca havia dado a ela.

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