Graciana não dormiu.
Ela sentou-se à mesa do escritório e organizou sua carteira de identidade, a cópia da certidão de casamento, o comprovante de bens antes do casamento, a certidão de nascimento de Lucca e os registros médicos do tempo em que cuidou dele, documento por documento.
Quando pegou os prontuários médicos do Lucca, ela parou por um longo tempo. Era uma pilha espessa, cheia de registros de todas as vezes que levou o filho ao hospital.
A assinatura do responsável em cada exame era a dela.
O nome de Cristiano raramente aparecia.
Mesmo assim, no acordo de divórcio de amanhã, ela decidiu não disputar a guarda por enquanto.
Não por falta de amor.
Mas porque finalmente havia entendido que o amor não era tirar a criança à força do ambiente com o qual estava acostumada, e nem continuar sacrificando a própria vida por um "mamãe é a melhor".
Ela daria um tempo a Lucca.
E também a si mesma.
Às dez da manhã do dia seguinte, Graciana apareceu pontualmente no escritório do Dr. Ricardo.
O Dr. Ricardo pareceu surpreso ao vê-la.
Ele provavelmente achou que ela hesitaria depois de uma noite.
Mas Graciana não hesitou.
Depois de se sentar, a primeira coisa que disse foi: — Mantenha o acordo o mais simples possível.
O Dr. Ricardo empurrou o documento para ela: — Eu redigi uma versão inicial. Os bens particulares adquiridos antes do casamento permanecem de propriedade individual. A parte dos bens comuns do casamento será dividida de acordo com a legislação vigente. A questão das participações no Grupo Monteiro é um pouco mais complexa, e aconselho a não abrir mão tão facilmente.
Graciana abriu o acordo.
As palavras em preto e branco brilhavam nos olhos.
Parte A: Cristiano.
Parte B: Graciana.
Ao ver os dois nomes escritos lado a lado no papel, sentiu um sentimento de ridículo subir em seu peito.
Em seis anos de casamento, o lugar onde eles mais apareceram juntos foram nesses documentos.
— Eu não quero as ações. — Graciana disse.
O Dr. Ricardo franziu a testa: — Sra. Monteiro, não é uma quantia pequena.
— Eu sei.
— Então por que a senhora...
Graciana levantou os olhos: — Eu quero sair o mais rápido possível.
O Dr. Ricardo ficou em silêncio.
Depois de um momento, ele assentiu: — E sobre a guarda da criança?
— Fica temporariamente com o Cristiano. — Graciana disse. — Mas eu quero direito de visita garantido e o direito de tentar a guarda futuramente.
O Dr. Ricardo a olhou com mais seriedade: — A senhora tem certeza?
Graciana assentiu.
— Tenho certeza.
Assim que disse essas palavras, ela sentiu que algo dentro dela se rompeu levemente.
Não houve dor.
Apenas um vazio.
O documento passou por duas rodadas de revisão.
Ao meio-dia e meia, Graciana assinou o próprio nome no final do acordo.
Graciana.
Enquanto a caneta deslizava pelo papel, ela não chorou.
Ela apenas lembrou do dia em que pegaram a certidão de casamento e Cristiano também estava sentado à sua frente.
Naquele dia ele estava muito ocupado. Assim que saíram do cartório, atendeu a uma ligação e pediu para o motorista levá-la de volta.
Ela ficou sentada sozinha no carro, olhando a certidão por muito tempo.
A foto a mostrava sorrindo alegremente.
Mas Cristiano apenas olhava indiferente para a câmera, como se estivesse cumprindo uma obrigação.
Então, desde o começo, a felicidade era só dela.
— Sra. Monteiro, como a senhora pretende enviar o acordo para o Sr. Monteiro? — O Dr. Ricardo perguntou.
Graciana colocou a tampa na caneta.
— Enviar para o Grupo Monteiro.
— Renato, o Sr. Monteiro pediu o material complementar do projeto.
— Já vou.
Renato colocou o Envelope pardo sob uma pilha de documentos a processar e voltou para a sala com o material.
A reunião durou até as oito da noite.
Quando Cristiano saiu da sala de reuniões, não parecia muito satisfeito.
A Stellaris Medical recusou a primeira oferta de aquisição do Grupo Monteiro, e a atitude deles foi surpreendentemente dura.
Renato o seguiu e relatou em voz baixa: — Sr. Monteiro, amanhã às dez, a Stellaris vai enviar o novo consultor do projeto para discutir a parte técnica.
Cristiano murmurou em confirmação.
Ele soltou um pouco a gravata e perguntou de repente: — A Graciana entrou em contato com você hoje?
Renato foi pego de surpresa: — A senhora? Não.
Os passos de Cristiano pararam.
Não?
Ela saiu com tanta firmeza ontem à noite, e hoje não houve nem sinal dela.
Cristiano deu uma risada fria.
Parece que ela sabia segurar a onda.
Ele entrou no escritório e pegou o celular para olhar.
Ainda não havia nenhuma mensagem de Graciana.
Cristiano jogou o celular na mesa e disse friamente: — Se ela ligar, diga que estou ocupado.
Renato assentiu: — Sim, senhor.
Do outro lado da mesa, aquele Envelope pardo com o nome de Graciana descansava em paz no fundo da pilha de documentos.
Ninguém o abriu.
E ninguém sabia.
Graciana já havia feito o acordo de divórcio chegar às mãos de Cristiano.
E o momento em que Cristiano esteve mais perto dele foi separado por apenas meia mesa de trabalho.

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